Jerusalém

Jerusalém

Nossa nova versão do Falafel, baseada em receita tradicional de Jerusalém. Acompanha molho de tahine.

Ingredientes: grão-de-bico, cebola, alho, salsinha, coentro, pimenta caiena, cominho em pó, coentro em pó, cardamomo em pó, fermento químico, farinha de trigo, semente de gergelim, óleo de girassol para fritar. Molho: tahine, limão siciliano, alho e sal.

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Jerusalém

Um panorama urbano de Jerusalém. Foto: Balou46, Wikicommons

Uma das cidades mais antigas do mundo, considerada sagrada para judeus, cristãos e religiões islâmicas, Jerusalém se divide e se une em um intrincado mosaico de pessoas, culturas e crenças. “Existem monges gregos ortodoxos; padres ortodoxos russos; judeus chassídicos originários da Polônia; judeus não ortodoxos da Turquia, da Líbia, da França e da Inglaterra; judeus sefardistas que estão na cidade há gerações; muçulmanos palestinos da Cisjordânia, da própria Jerusalém e de outras partes do mundo; judeus asquenazes da Romênia, da Alemanha e da Lituânia, milenares, e mais recentemente sefardistas do Marrocos, do Iraque, do Irã e da Turquia; árabes cristãos e ortodoxos armênios; judeus iemenitas e judeus da Etiópia; coptas da Etiópia; judeus da Argentina e do sul da Índia; religiosas russas de Bucara, no Uzbequistão, que regem um monastério e todo um bairro judeu. Todos esses e muitos, muitos mais criam uma imensa trama de cozinhas”, explicam os chefs Yottam Ottolenghi e Sami Tamimi – ambos nativos de Jerusalém e radicados em Londres – em seu livro sobre a complexa culinária da cidade.

Mas, segundo eles, pelo menos dois alimentos unem quase todas essas culturas: o homus e o falafel (e, no que se trata de ingredientes, o tahine), presentes no dia a dia de todos os cantos da cidade. Já falamos aqui sobre a forte disputa pela origem do falafel, e sobre como a versão mais conhecida pelos brasileiros é justamente a israelense, geralmente servida em forma de sanduíche. Nessa nova receita do Ora Bolas Food Lab, traremos o típico falafel de Jerusalém, acompanhado do molho de tahine (sem iogurte), também típico de lá – e aconselhamos que um belo e autêntico pão pita seja providenciado pra acompanhar a iguaria da forma mais tradicional dessa cidade multicultural. Aqui, trocamos a refrescância da hortelã pela do cardamomo, com sabor mais complexo, acompanhado de ervas como coentro e salsinha. E também trocamos a pimenta verde pela caiena, com um leve sabor adocicado e uma picância que se prolonga no paladar, sem ser agressiva. Tudo isso para nos transportarmos para uma nova viagem sensorial, descobrindo como um mesmo alimento pode adquirir inúmeras nuances de sabores – que carregam consigo as tradições e histórias de uma cultura ou local.

Saiba mais sobre os benefícios do grão-de-bico para a saúde

Fontes:

Ottolenghi, Yottam e Tamimi, Sami. Jerusalém; tradução Eni Rodrigues – 1ª edição – São Paulo – 2012.

Wikipedia

Palla Gialla

Palla Gialla

Bolinho de risoto de açafrão recheado com uma bola inteira de mussarela de búfala

Ingredientes: arroz carnaroli; pistilos de açafrão; mussarela de búfala; queijo parmesão; vinho branco; caldo caseiro de legumes; manteiga; azeite de oliva; cebola; sal; pimenta do reino; salsinha; noz moscada; farinha de trigo; farinha panko.

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Na Itália, principalmente na Sicília, uma tradicional e popular comida de rua é o arancino (arancini, no plural), uma bolinha de risoto recheada e empanada. O nome deve-se à sua semelhança com a laranja (arancia, em italiano), tanto pela cor quanto pela forma, só que menor do que a fruta.

Arancini em Palermo

Os arancini são uma das principais comidas de rua de Palermo, na Sicíclia

A origem dos arancini remonta ao século 10, época da ocupação sarracena na ilha. Os árabes costumavam servir em seus banquetes uma bandeja de arroz aromatizado com açafrão guarnecida com legumes e carnes – foram eles, inclusive, que introduziram o açafrão, a pimenta, a noz-moscada e a laranja na região, entre outras especiarias e vegetais.

Mas foi cerca de dois séculos depois que eles ganharam a forma e a crocância características. Diz-se que o prato agradava tanto Frederico II, rei da Sicília (entre tantos outros títulos), que ele desejava levar a iguaria para suas viagens e caçadas. A solução encontrada foi empanar e fritar pequenas bolas dessa mistura, o que ajudou a conservar o arroz e seus temperos por mais tempo, além de facilitar o seu transporte. A portabilidade logo conquistou quem trabalhava no campo, e centenas e centenas de anos depois as ruas de toda a Itália.

Os arancini são, portanto, em sua essência, predecessores do Ora Bolas Food Lab: práticos e saborosos, feitos para serem comidos com as mãos. Para introduzi-los em nosso cardápio, escolhemos uma refinada versão com risotto alla milanese (com açafrão, como é típico em Palermo, cidade que disputa com a Catânia a origem da receita siciliana), o que lhe confere uma coloração amarela. Para o recheio, uma deliciosa mussarela de búfala, que escorre pelas bordas após a primeira mordida. Andiamo mangiare la Palla Gialla e buon appetito miei amici!

Filfil

Filfil

O nosso Falafel, bolinhas refrescantes e levemente apimentadas de grão de bico envoltas em gergelim crocante (não contém lactose). Acompanha molho de iogurte (com lactose) com limão siciliano e tahine.

Ingredientes: grão de bico, farinha de trigo, limão siciliano, cebola roxa, pimenta verde, hortelã, alho, cominho, pimenta do reino, sal, semente de gergelim, iogurte, sal e tahine (pasta de gergelim).

** Bolinho é vegano, molho não

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Filfil não é o assobio, mas bem que poderia ser – os inúmeros benefícios dos ingredientes desse bolinho, além de seu destacado sabor, merecem todos os tipos de elogios. Filfil, a palavra, é a raiz do árabe falafel, que significa “algo apimentado” – resumindo bem essa mistura do sabor suave do grão-de-bico e refrescante da hortelã com as especiarias picantes, que percorre nossa boca atingindo todas as papilas gustativas.

Falafel, o prato, é parte da culinária típica de vários países do Oriente Médio, sendo que cada um tem uma receita original. Há inclusive uma forte disputa pela origem dessa iguaria, em especial entre Líbano, Egito, Síria e Israel. A forma que o ocidente come o Falafel, em forma de sanduíche (com pão pita, molho com tahine e salada), foi criada em Israel e é a principal comida de rua deste país – o que acabou provocando uma confusão em relação à origem do bolinho, em especial com a Associação das Indústrias Libanesas, que em 2009 convocou os outros países do Oriente Médio a tomarem medidas a esse respeito.

Disputas à parte, é incontestável o sabor e os inúmeros benefícios desse bolinho para a saúde. De forma geral o bolinho deve ser firme, leve, crocante, sequinho e jamais massudo. Apenas no Egito o Falafel é feito com feijão – no resto do mundo, assim como no Ora Bolas, a base é o grão-de-bico.

O grão-de-bico é uma ótima fonte de proteína vegetal, além de ser rico em minerais – como cálcio, ferro, fósforo, potássio, cobre, entre outros –, triptofano, vitaminas (A, B e C) e fibras. A grande quantidade de fibras solúveis e não-solúveis retira a gordura excedente na alimentação, limpa o trato digestivo e ajuda a reduzir o colesterol. Além disso, sua digestão, que é demorada, impede a subida abrupta do açúcar no sangue após a refeição, sendo aconselhável para pessoas que sofrem de diabetes, resistência à insulina ou hipoglicemia.

Além do grão-de-bico, ervas e especiarias, nosso Filfil ainda é coberto por gergelim, outra excelente fonte de proteínas, cálcio, gorduras monoinsaturadas e fibras. Essa mistura é ideal para quem procura uma boa forma física e uma dieta equilibrada.

Fontes:

http://www.petitgastro.com.br
http://www.greenme.com.br
http://www.anutricionista.com
http://www.eucomosim.com
http://www.terra.com.br

Pomme

Pomme

Bolinhas de massa bem fininha com recheio à la apfelstrudel, com maçã verde, amêndoas, canela, uva passa e uma crocante farofa açucarada.

Ingredientes: maçã verde, amêndoas, uva passa, açúcar, canela, manteiga, limão, farinha de rosca, farinha de trigo e ovo.

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As origens do apfelstrudel provavelmente estão na culinária árabe, mas é na Áustria que está o primeiro registro histórico deste doce. Na biblioteca municipal de Viena é possível encontrar a receita mais antiga de strudel, em um manuscrito de 1696. O apfelstrudel também é tradicional no sul da Alemanha, na Croácia, na Hungria, na República Tcheca, na Eslováquia e na Eslovênia, países que fizeram parte do Império Austro-Húngaro. No último século, tornou-se popular em regiões de imigração destes povos, especialmente alemães e austríacos, como no sul do Brasil.

O apfelstrudel é assado no forno e geralmente servido quente, polvilhado com açúcar em pó. É recheado com maçãs cortada em cubinhos, canela, passas e migalhas de pão. É comum acrescentar amêndoas ao recheio, e em algumas receitas é utilizado licor de laranja ou rum para acentuar o sabor.

Mas é a massa o grande diferencial do strudel. Originalmente se usa a filo, apesar de a massa folhada ser bem comum. Outros têm a sua própria receita. O importante é que ela deve ser bem fina e elástica. Costuma-se dizer que deve ser tão fina que seja possível ler algo através dela.

Como no Ora Bolas Food Lab tudo vira bolinha, tivemos que usar outra massa, uma que permitisse ter o formato mais próximo de uma pequena esfera, no caso uma trouxinha. Buscamos inspiração na própria Europa, e encontramos na pâte sucrée (massa doce francesa) a melhor opção para nosso misto de strudel e torta de maça, o Pomme.

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Ghriba

Ghriba

Suave docinho marroquino com nozes e especiarias, crocante por fora e cremoso por dentro.

Ingredientes: nozes, açúcar, claras de ovo, canela, baunilha em vagem, manteiga clarificada (ghee).

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Ghriba é um docinho muito tradicional no Marrocos, onde a receita é passada de geração em geração. Em árabe, ghriba significa “estranho”, mas no árabe marroquino o nome ganha um outro significado: “o misterioso”.

E é mesmo misterioso o sabor desse doce – principalmente a versão escolhida por nós, o ghriba de nozes. No lugar do tradicional biscoito temos aqui uma espécie de trufa de nozes com especiarias, rugosa e crocante por fora mas macia e úmida por dentro.

São muitas as receitas, mas a mais popular no Marrocos é o Ghriba de amêndoas, mais parecida com um biscoito. O tipo mais apreciado pelos marroquinos é o Ghriba Bahla, um biscoito mais crocante e craquelado, sempre acompanhado do famoso chá de menta. O motivo da escolha pela receita com nozes é a concordância com a proposta do Ora Bolas, de doces que finalizem bem uma boa noite de conversa, boa comida e bebida – carne de porco e bebida alcoólica são considerados “haraam”, ou seja, proibidas pela religião muçulmana.

O Ghriba Ora Bolas também leva em sua composição açúcar de baunilha. Saiba um pouco mais sobre esse ingrediente.

Benefícios do consumo de nozes

Ricas em fibras de alta qualidade, antioxidantes, vitaminas e minerais essenciais, as nozes possuem propriedades que ajudam nas defesas do corpo – formação de glóbulos vermelhos, cicatrização, fortalecimento dos ossos e dos dentes –, combatem problemas cardíacos e infecções e atuam na prevenção do câncer. Além disso, melhoram o trato intestinal, amenizam problemas decorrentes da síndrome metabólica – entre eles o colesterol alto –, ajudam a manter estáveis as taxas de glicose no sangue e, em pequena quantidade, auxiliam na manutenção de um peso saudável se consumidas diariamente.

Ghriba, o templo

Uma curiosidade: Ghriba também é o nome de um templo localizado em uma das últimas comunidades judaicas que sobrevivem no mundo árabe, no centro da ilha de Sjerba, ao sul da Tunísia. Durante a festa judaica do Lag Baômer, que ocorre entre os meses de abril e maio do calendário gregoriano, a Sinagoga de la Ghriba recebe vários milhares de peregrinos – já que, segundo a tradição, o local conteria restos do Templo de Jerusalém.

Em 1985 e em 2002 a sinagoga foi palco de atos de violência. Na primeira ocasião um policial tunisiano abriu fogo dentro do templo matando cinco pessoas, entre elas quatro judeus. Já em 2002 um atentado suicida atribuído ao grupo terrorista al-Qaeda deixou 21 mortos e 30 feridos após um caminhão-tanque, carregado de explosivos e conduzido por um jovem tunisiano de 25 anos, entrar no local.

Fontes:
Moroccan Cuisine Marocaine
Wikipedia
http://www.mundoboaforma.com.br

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Vó Censa

Vó Censa

Tortinhas recheadas com verduras e queijo parmesão. Inspirado em uma tradicional receita de família, a “torta da Vó Vicentina”

Ingredientes: escarola, espinafre, alho-poró, cebolinha, ovo caipira, queijo parmesão, farinha de trigo, sal e pimenta do reino.

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Vicentina

Vicentina ainda jovem

Uma autêntica matriarca. Essa foi Vicentina Braz de Siqueira Storto, minha vó. Seus nove filhos, tendo um deles morrido muito cedo, aos 11 meses, foram criados à beira do fogão, onde ela preparava as balas de café e de coco que seriam vendidas no Cine Olympia, de propriedade do meu avô, Domingos Storto – um dos primeiros cinemas da região no interior de São Paulo onde fica a cidade de mesmo nome, Olímpia, hoje grafada sem o “y”.

Norton Storto

Meu pai, Norton, experimentando – e aprovando! – nossa versão da receita familiar

Pouco após a morte de mais um filho, em meados dos anos 50, a família se mudou para São Paulo, capital, onde os outros sete filhos – entre eles meu pai, Norton Storto –, estudaram. Menos de uma década depois faleceu meu avô, e Vicentina assumiu definitivamente sua face de matriarca. Continuava fazendo seus memoráveis pratos enquanto seus filhos, agora grandes, já se viravam para estudar e trabalhar, tendo sempre a casa da mãe como um porto seguro para voltar. Entre os pratos, dois se destacam na memória de toda a família, e são reproduzidos até hoje dentro dos núcleos familiares de cada um dos sete filhos, (dentre os quais cinco permanecem entre nós): a galinha italiana e a torta de verduras.

Até a morte de minha vó em 2000, aos 94 anos, a família toda, filhos e netos (e eram muitos!), se reunia todos os domingos à tarde em seu apartamento na rua Simão Álvares, em Pinheiros – terreno da primeira residência da família em São Paulo, que a visionária Vicentina transformou em um prédio que permanece em pé até hoje com muito poucas alterações: o Edifício Olímpia, batizado em homenagem à cidade onde a família se formou.

A torta de verduras muito frequentemente estava presente nessas reuniões, principalmente para agradar ao paladar dos netos e bisnetos que, crianças que eram, às vezes torciam o nariz para a galinha. E agradava – acho que não tinha quem não gostasse da torta, quente ou fria. E para completar a comilança, brigadeiro de colher bem duro e as deliciosas balas de café e de coco, embaladas uma a uma em papel celofane – tal como eram feitas para serem vendidas no Cine Olympia.

Escrito por Graziela Storto, cozinheira e co-criadora dovo_vicentina_idosa_corte Ora Bolas Food Lab.

À esquerda, foto da minha Vó Censa como me recordo dela, sentada em sua cadeira de balanço, contando histórias ou apenas observando, orgulhosa, a família toda reunida

Floresta de Duende

Floresta de Duende

Cremoso bolinho de espinafre recheado com mussarela de búfala, shiitake e cebola ao shoyu.

Ingredientes: espinafre, queijo parmesão, farinha de trigo, ovo, cebola roxa, sal, mussarela de búfala, shiitake e molho de soja (shoyu).

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Ilha Grega

Ilha Grega

Refrescante bolinho de abobrinha com muito hortelã e queijo fetta. Servido com molho de iogurte

Ingredientes: abobrinha, hortelã, queijo fetta, cebolinha, ovo, farinha de trigo, farinha de rosca, sal e noz-moscada.

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O nome já é uma dica: nosso Ilha Grega é uma adaptação de um bolinho bastante popular na Grécia, o Kolokithokeftédes. Ele resume uma parte da rica culinária desse país, tipicamente mediterrânea, mas com uma forte similaridade com a cozinha turca, libanesa e de alguns países balcânicos – durante séculos a Grécia fez parte do Império Otomano, e as influências culinárias entre ocidente e oriente acabaram se cruzando. A cozinha grega é considerada uma das mais saudáveis, saborosas e aromáticas do mundo.

Elementos da cozinha mediterrânea ocidental, como azeite de oliva, berinjela, abobrinha, grãos, queijos, vinhos e peixes, se juntam a outros típicos orientais, como o iogurte, o pão pita, as oleaginosas e a farta utilização de ervas frescas e aromáticas – muito mais forte do que em outros países do Mediterrâneo.

No Ilha Grega, a abobrinha ganha o sabor refrescante da menta e da cebolinha e explosões do queijo mais famoso da Grécia: o Fetta. E, para acompanhar, o molho de iogurte, também muito popular entre os gregos – o mais usado por lá é o tzatziki, feito com pepino e alho. No nosso, no entanto, preferimos acrescentar ao iogurte outros ingredientes ainda mais tradicionais naquele país: o azeite de oliva e o limão.

Ao redor da mesa

A hora da refeição é de extrema importância para os gregos, e eles costumam demorar muito para comer, saboreando vagarosamente pequenas – mas várias – porções entre entradas, pratos e sobremesas. É tão importante a hora da comida que em toda a Grécia os estabelecimentos costumam fechar das 14 às 16 horas para a sesta. O importante é que possam, no almoço ou no jantar, passar muito tempo ao redor da mesa, comendo, bebendo e conversando. A bebida alcoólica, para eles, só pode ser consumida acompanhada de comida, e os petiscos são muito valorizados por lá – tudo a ver, portanto, com o nosso Ora Bolas.

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Parmigiana

ParmeggianaBolinhos de berinjela com parmesão recheados com tomate, mussarela de búfala e manjericão.

Ingredientes: berinjela, ovo caipira, farinhas (trigo, berinjela e rosca), cebola roxa, sal, nozes, mussarela de búfala, parmesão, tomate e manjericão fresco.

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Não há dúvidas de que a berinjela à parmigiana (parmigiana di melanzane) é um prato tipicamente italiano. Mas uma região, a Sicília, e duas cidades – Nápoles, na Campânia, e Parma, na Emília-Romana – reivindicam sua autoria. Cada uma, é claro, alega suas razões.

À primeira vista, “à parmigiana” nos traz a ideia de que o prato é feito “à moda de Parma, ou à moda parmigiana”. Gramaticamente correto. No entanto, o termo parmigiana é empregado em livros italianos de gastronomia dos séculos 17 e 18 para indicar a presença do queijo parmesão (parmigiano). Mas, antes disso, nos séculos 15 e 16, a palavra era utilizada para indicar o modo de preparar legumes fatiados em camadas, típico da cidade de Parma.

Em Nápoles há os primeiros registros históricos de melanzane alla parmigiana. O cozinheiro e escritor Ippolito Cavalcanti publicou em um tratado de 1837 (“Cucina teorico-pratica“) o que é considerada a primeira receita de berinjela à parmigiana. O também cozinheiro, filósofo e escritor Vincenzo Corrado cita um prato semelhante em uma obra de 1773 (“Il cuoco galante“), porém com abobrinhas em seu preparo – o autor sugere em outra parte do livro que as berinjelas podem ser preparadas da mesma forma que as abobrinhas.

A Sicília traz em seu favor a posição geográfica e a história do comércio exterior. Os árabes introduziram a berinjela na Europa no século 13 através da península ibérica. Na Itália, o alimento chegou por volta do século 15, via embarcações árabes que passavam pela ilha. O próprio prato é muito parecido com a moussaka, receita de origem árabe que leva berinjelas em camadas e carne em seu preparo.

Mas, e por que parmigiana? O termo, na verdade, tem origem em uma palavra de um dialeto siciliano, “parmiciana“, um conjunto de ripas sobrepostas que forma uma persiana, semelhante ao arranjo de fatias de berinjela utilizado no prato. O queijo utilizado na região, aliás, é o pecorino siciliano.

Alguns fatos nos ajudam a entender a dúvida – e a disputa – pela origem da receita. Nápoles e Sicília formaram o mesmo reino entre 1130 e 1282, e depois entre 1816 e 1861. Entre estes períodos, em 1734, Nápoles e Sicília foram conquistadas por um exército espanhol da dinastia dos Bourbons, e para o governo da região foi nomeado Carlos III da Espanha, que na época governava Parma.

Como essa história é muito embolada, nosso bolinho Parmigiana é um pouco siciliano, um pouco napolitano, um pouco parmigiano.  Se da Sicília vem a base da receita (berinjela, tomate e manjericão), de Nápoles vem a mussarela de búfala, e de Parma, é claro, o queijo parmesão. Uma deliciosa e saudável mistura à qual ainda adicionamos nozes e cebola roxa.

Fontes: Wikipedia; www.lacucinaitaliana.it

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Bola 8

Bola 8

Deliciosas trufas de chocolate meio amargo com consistência ao mesmo tempo cremosa e firme, que desmancham na boca. Envoltas em cacau em pó. Também disponíveis nas variações laranja e pimenta.

Ingredientes: chocolate meio amargo, extrato de baunilha, creme de leite e cacau em pó. Opcionais: laranja cristalizada e pimenta caiena.

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Defina o que é uma trufa em poucas palavras: bolinhas de chocolate bem forte, com bastante cacau, firmes por fora mas cremosas por dentro, podendo ou não serem saborizadas com frutas, bebidas, especiarias ou condimentos. Sim, é uma boa definição, principalmente para o nosso bolinho, o Bola 8. Mas o nome, trufa, define também uma outra iguaria mais “selvagem”, e ainda mais poderosa: a trufa negra, um tipo de cogumelo subterrâneo que é um dos alimentos mais caros do planeta.

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As trufas negras. Foto retirada do Pinterest

Trufas são as espécies mais raras e nobres de todos os cogumelos. Elas crescem entre 20 e 40 centímetros debaixo da terra, nas raízes de grandes carvalhos e castanheiras. Sua colheita é feita por caçadores que usam cães adestrados para farejá-las. O local é escavado, parte da trufa é deixada – para que possa se reproduzir novamente – e partir daí começa uma verdadeira corrida para enviá-las em menos de 36 horas até todos os seus consumidores ao redor do planeta.

Existem três tipos de trufas: a negra, a branca e a de verão, menos rara. Por ainda não se ter encontrado uma forma de cultivá-la – e pelo seu inigualável aroma – a trufa branca é a mais cara de todas, e o segundo alimento mais caro do mundo, perdendo somente para o caviar. Por duas ocasiões seu valor ultrapassou 100 mil euros em leilões realizados na Itália, mas a mais célebre trufa branca, de Alba, na Itália, custa até 15 mil dólares o quilo.

Ao contrário da branca, a trufa negra já pode ser cultivada: após anos de trabalho, pesquisadores criaram o carvalho trufeiro, que leva até oito anos para produzir os fungos. Encontrados naturalmente entre França, Espanha e Itália, os “diamantes negros”, como já foram chamados, vêm sendo colhidos também no Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, Nova Zelândia e Chile, entre outros – e vendidos por valores entre 700 e 2 mil dólares. Escura, com aspecto mais rugoso e odor menos marcante do que a branca, a trufa negra costuma ser utilizada ralada diretamente nos alimentos ou para saborizar azeites especiais.

Mas e o chocolate?

Por causa da semelhança física com a trufa negra – e, acredito, por se tratarem também de iguarias especiais –, essas maravilhosas bolinhas de chocolate descritas no início do texto ganharam o nome de trufas. No Ora Bolas, optamos por uma outra analogia: a Bola 8, preta, que define a sinuca, fecha o jogo – e não precisa de mais nada.

Fontes: Wikipedia; megacurioso.com; terra.com.br;

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