Homus

Homus

Típica pasta árabe de grão-de-bico. Na foto, decorada com cebolinha e páprica picante

Ingredientes: grão-de-bico, tahine (pasta de gergelim), alho, suco de limão e sal

Mais informações…

Questões sobre a origem de um prato ou qual é a melhor receita costumam gerar discussões acaloradas. Principalmente se você estiver no Oriente Médio e a iguaria em debate for o homus. Essa milenar pasta de grão-de-bico com tahine é tanto um item básico na cozinha dos palestinos quanto uma comida tradicional na mesa dos judeus. Mas quem pode reclamar o homus como seu? Para os chefs Yotam Ottolengui e Sami Tamimi, ninguém. “Ninguém é ‘dono’ de um prato, porque provavelmente alguém o preparou antes dele, assim como outra pessoa antes daquela”, afirmam em seu livro “Jerusalém”.

As pesquisas que costumamos fazer sobre a origem de alguns pratos, as histórias e curiosidades ligadas a eles nos levam à mesma conclusão de Ottolengui e Tamimi: as culturas culinárias são misturadas e fundidas de uma forma que não se consegue descobrir a origem exata. Assim como eles relatam, normalmente acabamos descobrindo vários pratos muito semelhantes, com os mesmos ingredientes básicos, mas resultados ligeiramente diferentes. Por milênios, imigrantes, ocupantes, visitantes e mercadores trazem e levam comidas e receitas, e nada indica que isso mudará algum dia.

Uma das hipóteses mais aceitas – mas não sem rejeições baseadas até mesmo em livros sagrados – é de que o homus foi criado pelos árabes egípcios ou pelos levantinos (habitantes de uma região que hoje compreende Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre). O que é fato é que as primeiras receitas conhecidas de um prato semelhante a hummus bi tahina (literalmente grão-de-bico com tahine em árabe) estão registradas em livros de culinária publicados no Cairo no século XIII.

Agora que deixamos o caso da origem de lado, fica a pergunta: quem faz o melhor homus? Ora bolas, isso é questão de gosto, e gosto não se discute – mas se comenta e pode render uma boa conversa entre amigos. Liso e aerado, ou robusto e picante? Morno ou temperatura ambiente? Mais ou menos tahine? Mais ou menos alho? Mais ou menos limão? Puro ou com páprica?

Na verdade, o que importa mesmo é ter um homus na mesa para chamar de seu. Mesmo que seja o meu!

Fonte: Wikipedia; Ottolenghi, Yottam e Tamimi, Sami. Jerusalém; tradução Eni Rodrigues – 1ª edição – São Paulo – 2012.

Cardápio de 21 e 24 de novembro

O roteiro desta semana começa na terça-feira com um giro pelo Mediterrâneo, região de origem de alguns itens da linha de molhos e antepastos “Fora da bolinha”.  Da Itália, os tradicionais antepastos de vegetais Zucchinata (abobrinha e temperos no vinagre) e Caponata (vegetais diversos e passas no azeite); do Marrocos, a pasta picante de tomates e pimentão Matbucha, e Casbá, a deliciosa e saudável trufa de tâmaras e amêndoas.

Para o happy-hour de sexta, vamos até o extremo oriente para encontrar o Dragão Chinês, prato de almôndegas suínas envoltas em molho agridoce picante. De lá, retornamos ao Oriente Médio, terra da Mujadarah, nossa versão do prato árabe de arroz e lentilhas com cebola crocante. Um doce final nos espera nas ilhas portuguesas dos Açores, com o Convento Açoriano, queijadinha de massa muito fina e recheio à base de coalhada seca caseira. Afrouxe o cinto e embarque nessa viagem pelo mundo dos sabores!

TERÇA-FEIRA, 21/11

Matbucha: pasta picante com tomates e pimentões tradicional do Marrocos, muito popular também em Jerusalém – R$ 12,00 – 100 ml;

Caponata: antepasto italiano de berinjela, abobrinha, pimentões, cebola e uvas passas no azeite – R$ 15,00 – 200 ml;

Zucchinata: antepasto italiano de abobrinha e temperos no vinagre – R$ 15,00 – 150 ml.

Casbá: trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau (sem açúcar, sem glúten e sem lactose) – R$ 20,00 – porção com 6 unidades.

SEXTA-FEIRA, 24/11

Dragão Chinês: almôndegas de carne suína envoltas em surpreendente molho agridoce picante. Inspirado em receita da província de Sichuan, na China – R$ 20,00 – porção com 250g;

Mujadarah: bolinhas de arroz Basmati e lentilha recheadas de cebola crocante; acompanha molho de iogurte e pepino com especiarias – R$ 25,00 – porção com 250g;

Convento Açoriano: versão das queijadas de Vila Franca do Campo, tradicionais da Ilha de São Miguel, nos Açores, com massa fininha típica dos doces conventuais portugueses, e recheio à base de coalhada seca caseira – R$ 15,00 – porção de 6 unidades.

Os bolinhos são entregues prontos para consumo, basta aquecê-los na hora de servir. Cada porção é suficiente para duas pessoas petiscarem. Em geral, as três opções juntas podem render uma refeição para duas pessoas.

Sobre as formas de pedido: você pode pedir pelo WhatsApp (48 99127-0099), e-mail pedidos@orabolasfoodlab.com e Facebook Messenger.

Lembramos que o pedido de antepastos deve ser feito até segunda à noite, e de bolinhas até quarta-feira de manhã; e ao fazê-lo deve ser indicada a quantidade de porções e a forma de entrega – ponto de retirada ou delivery.

Bom apetite!

Matbucha

Matbucha

Pasta picante com tomates e pimentões tradicional do Marrocos, muito popular também em Israel

Ingredientes: tomate, pimentão verde, pimenta jalapeño, alho, açúcar, pimenta calabresa, sal, azeite e páprica defumada.

Saiba mais…

No Oriente Médio e no Magrebe, é costume em muitos países começar a refeição com saladas frias. Uma das mais famosas é a Matbucha, ou Maṭbūkhah, que em árabe significa “salada cozida” – mas que, na verdade, está muito mais para uma pastinha, um dip ou mesmo um molho. Levada para Israel pelos judeus marroquinos, a Matbucha destaca-se entre os aperitivos e rivaliza com o Homus e o Babaganoush na preferência popular, dividindo a mesa nos jantares de Shabat.

A Matbucha, também conhecida por Salade Cuite, em francês, é um prato cozido de tomates e pimentões assados, temperado com alho e pimenta. Costuma ser servido frio com pão pita, mas também fica excelente com outros tipos de pães – principalmente aqueles de casca crocante – e torradas ou, até mesmo, vegetais crus. Há quem use a Matbucha em sanduíches ou como acompanhamento para peixes e carnes, ou ainda como molho para a Shakshuka (prato com ovos poché que, servido no pão, é uma das comidas de rua mais populares de Israel).

Levemente agridoce, picante na medida, a Matbucha deixa na boca um tênue gostinho de defumado dos pimentões assados, o que combina com o aroma da páprica. Esse sabor é completamente misturado à perfeita combinação de tomate e alho durante as cerca de duas horas de cozimento, chegando a um resultado indescritível, onde já não se distingue muito bem nem um, nem outro – só fica mesmo a vontade de saboreá-lo mais e mais.  O azeite de oliva dá o toque final, conferindo um tom acetinado à pastinha. Depois de provar, é irresistível não comer até o fim!

Fontes: Tori AveyThe SpruceShelly’s Humble KitchenSabores de Israel; Wikipedia