Pérola Negra

Pérola Negra

Trufa de chocolate meio amargo com licor de laranja coberta de chocolate amargo

Ingredientes: chocolate belga callebault 54,5% cacau, chocolate belga callebault 70,5% cacau, licor de laranja, creme de leite fresco e cacau em pó.

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Pérola Negra, te amo te amo… Essa deliciosa trufa, que contrasta os sabores dos chocolates meio amargo e amargo e traz em seu âmago o espírito do licor de laranja, recebeu este nome em homenagem ao saudoso Luiz Melodia, que nos deixou em 4 de agosto de 2017.

Pérola Negra é o nome de um de seus maiores sucessos, música que na voz de Gal Costa – gravada no álbum “Gal a todo o vapor”, de 1971 – o alçou ao cenário musical profissional do país. Dois anos depois, ele mesmo canta a letra que revela a dor no coração de um momento de amor, composta para uma antiga namorada, em seu álbum de estreia. Também chamado “Pérola Negra”, o disco não teve um grande êxito comercial, mas foi imediatamente aclamado pela crítica. Em 2007, foi classificado pela Rolling Stone Brasil como o 32º na lista dos 100 maiores discos da música brasileira.

Na época, a Folha de São Paulo apresentou Luiz Melodia como um fenômeno inquietante, um estreante sem rótulos comerciais. Característica que, aliada à sua postura de não ceder à pressão comercial das gravadoras, costumeiramente o deixava anos sem gravar. A consolidação de seu trabalho viria em 1976, com o lançamento do segundo álbum, “Maravilhas Contemporâneas”. Com forte apoio de publicidade da gravadora Som Livre e inclusão de uma de suas faixas (Juventude Transviada) na trilha sonora da novela “Pecado Capital”, da Globo, alcançou sucesso popular.

Apesar disso, nas décadas seguintes direcionou sua carreira para circuitos alternativos e lançamentos independentes que não tiveram a mesma repercussão. Seu nome voltou à tona nos anos 2000, em uma parceria bem-sucedida com o violonista Renato Piau, amigo de longa data que o acompanharia até seus últimos shows. Em 2014, após 13 anos sem um disco de músicas inéditas, lançou “Zerima”, álbum que no ano seguinte fez Luiz Melodia receber o título de Melhor Cantor na categoria MPB/Canção Popular do 26º Prêmio da Música Brasileira.

Luiz Melodia – sobrenome artístico que herdou do pai – faleceu aos 66 anos, vítima de um mieloma múltiplo, tipo raro de câncer que acomete a medula óssea.

Ah, pérola negra é também a joia produzida pela ostra Pinctada margaritifera, ou “ostra do lábio preto”. Além de preta, ela pode ser verde-esmeralda, cor de cobre ou azul. Apenas uma de cada 100 pérolas produzidas na natureza é negra.

Fontes: Bis, Folha de São Paulo, O Tempo, Wikipedia.

Luar de primavera

O bolinho chinês Tang Yuan em uma versão doce, mas sem açúcar! Bolinhas de arroz glutinoso em creme de manga, leite de coco e temperos

Ingredientes: farinha de arroz glutinoso, manga, leite de coco, banana e hortelã

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A lua cheia é um fator comum e importante entre as principais festas tradicionais da China. É na primeira lua cheia do ano que se realiza o Festival das Lanternas, evento que marca o final do Festival da Primavera, as comemorações do Ano Novo Chinês; na oitava lua cheia, ocorre o Festival do Outono, também chamado de Festival da Lua.

Foto de Kiefer/Wikicommons

Foto de Kiefer/Wikicommons

Até as comidas típicas destas festividades têm relação com o astro: no Festival de Outono, a principal iguaria é o Bolo da Lua, pequenas tortas arredondadas decoradas com ideogramas de longevidade e harmonia que parentes e amigos trocam entre si; já no Festival das Lanternas – e também no Festival do Solstício de Inverno, para os povos do sul – o acepipe obrigatório é o Tang Yuan, uma bolinha branca de massa de farinha de arroz glutinoso que pode ser servida em caldo doce ou salgado (caso do nosso bolinho Equinócio). O Tang Yuan é também uma sobremesa característica de casamentos, talvez pelo fato da lua ser tida como “casamenteira” e símbolo de fertilidade entre os chineses.

Antigamente, para fazer o Tang Yuan era preciso embeber o arroz glutinoso e deixá-lo de molho por vários dias no leite de arroz, para depois filtrar a água e fazer as bolinhas, um processo que exigia a participação de quase todos os membros da família. Hoje, em qualquer mercado da Ásia pode ser encontrada a farinha pronta, o que facilitou a produção dos bolinhos e os transformou em uma receita do dia a dia. São vendidos também Tang Yuan industrializados, prontos para serem adicionados à calda de sua preferência.

A origem mais provável do Tang Yuan é Chengdou, capital de Sichuan, no sul da China, mas os bolinhos são tradicionalmente consumidos por todo o país – no norte, também são conhecidos por Yuanxiao. Dependendo da região, recebem recheios variados ou até mesmo nenhum, e são preparados de diferentes formas: cozidos na água fervente, no vapor ou fritos. Às vezes não são servidos em uma calda (geralmente quente), mas apenas envoltos em açúcar.

O Ora Bolas Food Lab buscou inspiração em uma sobremesa muito popular na China para elaborar o Luar de Primavera, uma versão de Tang Yuan sem recheio. Pequenas bolinhas de arroz glutinoso vêm imersas em um creme de manga, banana e leite de coco com hortelã e especiarias, uma combinação refrescante e suavemente adocicada, como a estação.

Fontes: Wikipedia; China Sichuan Food; China Highlights; Travel China Guide; Revista Macau; Extra Muros; China na minha vida; Mina Holland (tradução de Elenice Borba de Araujo). O Atlas gastronômico: Uma volta ao mundo em 40 cozinhas. Editora Casa da Palavra

Casbá

Trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau

Trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau

Casbás são pequenas cidades muradas encontradas por todo o norte da África. Suas altas muralhas protegiam a população berbere de invasões e ataques, das temidas tempestades de areia e do frio intenso das noites do Saara, quando a temperatura pode cair abaixo de zero. Geralmente com plantas quadradas e torres nos cantos, eram erguidas em adobe (tijolos de terra crua e palha), o que ajudava a garantir conforto térmico no interior das casas. No passado, muitas delas faziam parte da rota das caravanas que cruzavam o deserto. Hoje, algumas são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco, como a Casbá de Argel, na Argélia, construída no século 4; a de Aït-Ben-Haddou, no Marrocos, do século 8; e a de Sousse, na Tunísia, do século 9 – países da região conhecida como Magrebe.

Casbá

Casbá de Aït Benhaddou, no Marrocos. Foto: China_Crisis, wikicommons

Uma das mercadorias levadas pelas caravanas da época eram as tâmaras, frutos de uma palmeira típica dos oásis do Saara. Até hoje é uma das principais fontes de sustento de muitas famílias, que se dedicam inteiras à atividade. Na época da colheita, crianças e mulheres ajudam os homens a separar as melhores tâmaras, que depois são levadas aos mercados no lombo de animais. Além do valor como mercadoria, a tâmara é um importante item de alimentação desse povo, pois é muito energética – especialmente a seca – e é rica em magnésio, ferro e potássio (três vezes mais do que a banana).

Tâmara, Casbá

Uma tamareira carregada. Foto: Seweryn Olkowicz, wikicommons

As tâmaras são o ingrediente principal do recheio de um doce popular nos países do Magrebe, o makrout, um bolinho feito com semolina. Na Argélia, judeus costumam prepará-lo para celebrar o Rosh Hashana (ano novo); em Marrocos, é uma receita tradicional do Ramadã, ideal para repor a energia perdida durante o jejum muçulmano. Geralmente ela é misturada a amêndoas, mel e água de flor de laranjeira.

No Ora Bolas Food Lab, deixamos a massa de lado e utilizamos o recheio como ideia para uma trufa sem açúcar, sem leite e sem glúten. Retiramos o mel e adicionamos cacau e condimentos a esta mistura, que depois de moldada em bolinhas é coberta de mais cacau. Todos esses ingredientes ajudam a combater o estresse e a ansiedade, o nervosismo e a agitação. Este é o Casbá, nosso primeiro doce funcional!

Fontes: Wikipedia; Unesco; Globo Repórter; Marrocos.com;  www.lesjoyauxdesherazade.com; moroccotravelblog.com

Pecado Original

Pecado Original

Tortinhas de maçã com recheio a la apfelstrudel e massa de doce conventual português

Ingredientes: maçã verde, uva passa, amêndoas em lascas, canela, limão, rum, farinha de trigo, manteiga, açúcar, ovo, banha, sal.

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Você já leu aqui sobre a origem do apfelstrudel; e aqui sobre a história dos doces conventuais portugueses. Agora resta saber: por que misturar duas tradições tão distintas?

A origem dessa ideia veio de um terceiro doce: a torta alemã, como era conhecida na minha casa em São Paulo uma torta de maçãs sem massa coberta por uma farofa doce que fica crocante após ser assada. Naquela época fazíamos a torta apenas com maçãs, limão, canela e a farofa crocante mas, quando comecei a fazê-la em casa, para minhas filhas, acrescentei alguns ingredientes típicos do apfelstrudel, como passas e amêndoas. Ficou divino, e se tornou um dos doces preferidos da minha filha mais velha, Catarina, que adorava ajudar a fazer a farofa.

Pomme

Pomme: a primeira tentativa

Convento Açoriano

Convento Açoriano: a solução

Mas como transformar isso em bolinhas? A primeira tentativa veio com o Pomme: fazer um recheio como o do apfelstrudel, com a farofa doce pré-cozida na frigideira, fechada com massa de torta doce francesa. Ficou muito bom, mas a massa, que é própria para formas, era muito difícil de ser manuseada. Outro problema era a farofa, que na frigideira não tinha a mesma consistência daquela assada, que forma uma crosta mantendo toda a umidade do recheio. Não fiquei contente.

A solução veio com outro doce do nosso cardápio, o Convento Açoriano. A massa fininha típica dos doces conventuais portugueses mantém o recheio aberto ao ir para o forno, abrindo a possibilidade de usar a farofa da torta alemã, transformando-a em delicados docinhos em formato circular, perfeitos para o cardápio do Ora Bolas. Dessa forma, substituímos o Pomme pelo Pecado Original – uma referência “àquela” maçã de Eva mas também ao mais saboroso dos pecados: o da gula!

Escrito por Graziela Storto, cozinheira e co-criadora do Ora Bolas Food Lab

Rote Grütze

Rote Grütze

Doce alemão precursor do nosso sagu, com frutas vermelhas e vinho tinto. Acompanha creme de baunilha

Ingredientes: sagu, morango, amora, mirtilo, framboesa,  vinho tinto, açúcar, canela e limão. Creme:  baunilha em fava, leite, ovo e açúcar.

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Ainda hoje, na casa de meus pais, em Lages (SC), uma das sobremesas mais tradicionais de fim de semana é o sagu. Minha mãe prepara essas minúsculas bolinhas em calda de vinho tinto, sempre acompanhadas de um creme e suspiro, assim como fazia minha nonna, que por sua vez aprendeu com sua mãe, filha de imigrantes da Itália que se instalaram na serra gaúcha no final do século 19. E assim ocorre em centenas de famílias, com a receita passando por gerações, a ponto da sobremesa se tornar emblemática para as colônias italianas do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina.

Assim, cresci com a certeza de que, no que diz respeito a doce, nada mais italiano do que o sagu de vinho. Ledo engano, só desfeito há menos de dois anos, ao fazer uma reportagem sobre a culinária típica das colônias alemãs e italianas do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A descoberta se deu durante uma entrevista com Rene Jensen, proprietário do restaurante Abendbrothaus, de Blumenau, que abre somente aos domingos e possui em seu cardápio apenas um item: marreco recheado e seus tradicionais acompanhamentos – repolho roxo, chucrute, purê de maçã, purê de batatas, aipim frito, salada de batatas, arroz e língua ensopada. Tudo feito pela sua esposa, Josefa Jensen, que aos 9 anos aprendeu a receita com a sua oma, e que há 30 anos delicia seus clientes com este banquete. Depois dele discorrer sobre esta farta refeição, perguntei qual era a sobremesa, se também era típica, e a resposta foi: sim, é sagu. Na hora questionei Rene se essa não era uma receita italiana, e ele me disse não ter certeza, mas que a Josefa também tinha aprendido a fazer o doce com a avó.

rote grutzeNa verdade, a sobremesa típica das colônias italianas tem origem na guloseima alemã rote grütze – que também leva vinho tinto em sua preparação – e na adaptação de sua receita aos ingredientes locais, já utilizados pelos nativos da terra. Na falta de fécula de batata (utilizada para engrossar a calda), os descendentes de alemães Hans e Fritz Lorenz, netos do cientista alemão Fritz Müller, passaram a produzir no começo do século passado a fécula de mandioca que, processada, ganha o nome de sagu (referência à fécula extraída de plantas da Ásia conhecidas como saguzeiros). A interação comercial entre as colônias era cada vez mais intensa, e logo o doce caiu no gosto das famílias de imigrantes italianos, que excluíram da receita original as frutas vermelhas por não encontrá-las em sua nova terra. Um belo – e saboroso – exemplo de como a miscigenação cultural pode enriquecer nossos paladares.

PS: O Rote Grutze é tradicionalmente acompanhado pelo creme de baunilha (saiba mais sobre a fava de baunilha aqui)

Por Alexsandro Vanin, co-criador do Ora Bolas Food Lab

Fonte: Peccini, Rosana. Sagu de Vinho Tinto. http://www.historiadaalimentacao.ufpr.br; Wikipedia

Convento Açoriano

Convento Açoriano

Uma versão das queijadas de Vila Franca do Campo, doce conventual típico da Ilha de São Miguel, nos Açores

Ingredientes: farinha; ovos; banha; manteiga; açúcar; sal; leite; coalho; açúcar de confeiteiro

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Como o próprio nome diz, a história da doçaria conventual portuguesa tem origem nos conventos do século XV e é fruto da expansão do comércio de açúcar obtida com o cultivo de cana na Ilha da Madeira e em outras colônias portuguesas. Até então, havia uma tradição de doces produzidos com mel – mas o açúcar, com seus vários pontos de calda, abriu horizontes para as mulheres que muitas vezes acabavam nos conventos por uma imposição social, não por vocação, e tinham na doçaria seu passatempo. Na colônia portuguesa dos Açores, em especial, entre 1533 e 1832 as principais famílias das ilhas de São Miguel, Faial e São Jorge viam na vida religiosa de suas filhas donzelas uma maneira de evitar a dispersão do patrimônio familiar e assegurar ao seu clã um elevado estatuto social.

O uso abundante das gemas de ovos nesses doces tem relação direta com o uso das claras de ovos dentro dos conventos. As claras eram utilizadas para confecção de hóstias, para engomar os hábitos (roupas) das freiras – e também roupas elegantes de homens ricos – e como elemento purificador na produção de vinho branco. Até então, as gemas excedentes eram muitas vezes colocadas no lixo ou servidas como alimento aos animais. Com a chegada do açúcar, elas ganharam um novo destino – bem mais saboroso.

José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

Convento de Santo André, Vila Franca do Campo Foto: José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

O nosso Convento Açoriano tem origem na Vila Franca do Campo, primeira capital da Ilha de São Miguel, nos Açores, após a colonização portuguesa. A hoje famosa Queijada da Vila começou a ser fabricada no Convento de Santo André, erguido no século XVI. Hoje em dia não é mais produzida dentro do convento, mas por duas famílias que guardam sigilo absoluto sobre a receita original – não se sabe se realmente existe algum segredo ou se essa é apenas uma forma de acrescentar charme ao já saboroso doce. Na versão Ora Bolas Food Lab, as queijadas são menores, como petiscos, e têm uma massa bem fininha e crocante (típica dos doces portugueses), recheada com um creme doce – com o açúcar e as gemas – que ganha como contraponto o gostinho azedo da coalhada seca caseira. É mesmo para comer rezando!

Fontes: Wikipedia; Martins, Rui de Souza. As Artes Conventuais nos Açores e o Processo de Criação do Arcano Místico da Ribeira Grande. Universidade dos Açores; arteconventual.com.br; imaginacaoativa.wordpress.com; docesconventuaisdaflor.blogspot.com.br

Pomme

Pomme

Bolinhas de massa bem fininha com recheio à la apfelstrudel, com maçã verde, amêndoas, canela, uva passa e uma crocante farofa açucarada.

Ingredientes: maçã verde, amêndoas, uva passa, açúcar, canela, manteiga, limão, farinha de rosca, farinha de trigo e ovo.

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As origens do apfelstrudel provavelmente estão na culinária árabe, mas é na Áustria que está o primeiro registro histórico deste doce. Na biblioteca municipal de Viena é possível encontrar a receita mais antiga de strudel, em um manuscrito de 1696. O apfelstrudel também é tradicional no sul da Alemanha, na Croácia, na Hungria, na República Tcheca, na Eslováquia e na Eslovênia, países que fizeram parte do Império Austro-Húngaro. No último século, tornou-se popular em regiões de imigração destes povos, especialmente alemães e austríacos, como no sul do Brasil.

O apfelstrudel é assado no forno e geralmente servido quente, polvilhado com açúcar em pó. É recheado com maçãs cortada em cubinhos, canela, passas e migalhas de pão. É comum acrescentar amêndoas ao recheio, e em algumas receitas é utilizado licor de laranja ou rum para acentuar o sabor.

Mas é a massa o grande diferencial do strudel. Originalmente se usa a filo, apesar de a massa folhada ser bem comum. Outros têm a sua própria receita. O importante é que ela deve ser bem fina e elástica. Costuma-se dizer que deve ser tão fina que seja possível ler algo através dela.

Como no Ora Bolas Food Lab tudo vira bolinha, tivemos que usar outra massa, uma que permitisse ter o formato mais próximo de uma pequena esfera, no caso uma trouxinha. Buscamos inspiração na própria Europa, e encontramos na pâte sucrée (massa doce francesa) a melhor opção para nosso misto de strudel e torta de maça, o Pomme.

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Don Corleone

Don Corleone

Uma releitura dos Cannoli, doce italiano imortalizado na trilogia “O Poderoso Chefão”, com massa de vinho Marsala, recheio de ricota e chocolate branco com raspas limão siciliano e coberto com chocolate belga 70% cacau e pistache.

Ingredientes – Massa: farinha de trigo, açúcar, chocolate em pó 70% cacau, sal, pimenta jamaica, manteiga, ovo, vinho Marsala e Grappa. Recheio: chocolate branco, creme de leite fresco, açúcar, ricota fresca e raspas de limão siciliano. Cobertura: chocolate belga Callenbault 70% cacau, pistache e pimenta jamaica.

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Não por acaso os cannoli têm um papel de destaque na franquia O Poderoso Chefão (The Godfather). Assim como a máfia, esse tradicional doce italiano tem origens na Sicília. Dessa região do sul da Itália saíram os migrantes que difundiram os cannoli e a máfia pelo mundo, especialmente nos Estados Unidos, a partir do final do século 19.

Mas os cannoli são muito mais antigos, é sobre eles provavelmente o primeiro registro sobre confeitaria. Ao advogado, político e filósofo romano Marco Túlio Cícero, questor (cargo de início na magistratura da Roma Antiga) na Sicília em 75 a.C., é creditada a citação: “tubus farinarius, dulcissimo, edulio ex lacte factus”, ou seja, “tubos de massa de farinha, muito doces, recheado com creme de leite”. Pelo formato, os cannoli eram historicamente feitos durante as festividades de carnaval, como um símbolo de fertilidade.

Para a família mafiosa Corleone, no entanto, eles tinham outro significado. No primeiro episódio da trilogia, o caporegime (terceiro na ordem de comando) Peter Clemenza é designado por Don Vito Corleone (o chefe da família, ou padrinho) para matar o traidor Paulie Gatto. Assim que a vingança é consumada, Clemenza orienta o assassino com uma das frases mais famosas do cinema: “leave the gun, take the cannoli”, ou seja, “deixe a arma, pegue os cannoli” – os doces eram um pedido de sua esposa. Já no terceiro episódio, Connie Corleone usa cannoli envenenados para eliminar Don Altobello, chefe da família Tattaglia, também por causa de uma traição.

Cannolo (no singular), que significa “pequeno tubo” em italiano, é uma sobremesa de massa doce frita em formato de tubo, recheada com creme de queijo ricota ou mascarpone, e que costuma levar baunilha, chocolate, pistache, frutas cristalizadas, vinho Marsala e limão siciliano em seu preparo. Mas cada família italiana tem sua receita, assim como os migrantes precisaram adaptar as suas aos ingredientes disponíveis em suas novas terras.

O Ora Bolas Food Lab procura manter uma proximidade com os ingredientes originais. A massa leva cacau, vinho Marsala e Grappa; o recheio tem uma base de ricota, chocolate branco e limão siciliano; e ganha uma cobertura de chocolate meio amargo e pistache. Mas, é claro, deixa de ser um pequeno tubo e é transformado em uma bolinha. Por isso foi rebatizado de Don Corleone.

Portanto, depois de um bom happy hour com bolinhos salgados e bebidas, deixem os copos e peguem os cannoli, ora bolas!

Fontes: Wikipédia; ANSA Brasil; ricette.giallozafferano.it; godfather.wikia.com; Kostioukovitch, Elena. Why Italians Love to Talk About Food. Google Books

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Ghriba

Ghriba

Suave docinho marroquino com nozes e especiarias, crocante por fora e cremoso por dentro.

Ingredientes: nozes, açúcar, claras de ovo, canela, baunilha em vagem, manteiga clarificada (ghee).

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Ghriba é um docinho muito tradicional no Marrocos, onde a receita é passada de geração em geração. Em árabe, ghriba significa “estranho”, mas no árabe marroquino o nome ganha um outro significado: “o misterioso”.

E é mesmo misterioso o sabor desse doce – principalmente a versão escolhida por nós, o ghriba de nozes. No lugar do tradicional biscoito temos aqui uma espécie de trufa de nozes com especiarias, rugosa e crocante por fora mas macia e úmida por dentro.

São muitas as receitas, mas a mais popular no Marrocos é o Ghriba de amêndoas, mais parecida com um biscoito. O tipo mais apreciado pelos marroquinos é o Ghriba Bahla, um biscoito mais crocante e craquelado, sempre acompanhado do famoso chá de menta. O motivo da escolha pela receita com nozes é a concordância com a proposta do Ora Bolas, de doces que finalizem bem uma boa noite de conversa, boa comida e bebida – carne de porco e bebida alcoólica são considerados “haraam”, ou seja, proibidas pela religião muçulmana.

O Ghriba Ora Bolas também leva em sua composição açúcar de baunilha. Saiba um pouco mais sobre esse ingrediente.

Benefícios do consumo de nozes

Ricas em fibras de alta qualidade, antioxidantes, vitaminas e minerais essenciais, as nozes possuem propriedades que ajudam nas defesas do corpo – formação de glóbulos vermelhos, cicatrização, fortalecimento dos ossos e dos dentes –, combatem problemas cardíacos e infecções e atuam na prevenção do câncer. Além disso, melhoram o trato intestinal, amenizam problemas decorrentes da síndrome metabólica – entre eles o colesterol alto –, ajudam a manter estáveis as taxas de glicose no sangue e, em pequena quantidade, auxiliam na manutenção de um peso saudável se consumidas diariamente.

Ghriba, o templo

Uma curiosidade: Ghriba também é o nome de um templo localizado em uma das últimas comunidades judaicas que sobrevivem no mundo árabe, no centro da ilha de Sjerba, ao sul da Tunísia. Durante a festa judaica do Lag Baômer, que ocorre entre os meses de abril e maio do calendário gregoriano, a Sinagoga de la Ghriba recebe vários milhares de peregrinos – já que, segundo a tradição, o local conteria restos do Templo de Jerusalém.

Em 1985 e em 2002 a sinagoga foi palco de atos de violência. Na primeira ocasião um policial tunisiano abriu fogo dentro do templo matando cinco pessoas, entre elas quatro judeus. Já em 2002 um atentado suicida atribuído ao grupo terrorista al-Qaeda deixou 21 mortos e 30 feridos após um caminhão-tanque, carregado de explosivos e conduzido por um jovem tunisiano de 25 anos, entrar no local.

Fontes:
Moroccan Cuisine Marocaine
Wikipedia
http://www.mundoboaforma.com.br

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Bola 8

Bola 8

Deliciosas trufas de chocolate meio amargo com consistência ao mesmo tempo cremosa e firme, que desmancham na boca. Envoltas em cacau em pó. Também disponíveis nas variações laranja e pimenta.

Ingredientes: chocolate meio amargo, extrato de baunilha, creme de leite e cacau em pó. Opcionais: laranja cristalizada e pimenta caiena.

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Defina o que é uma trufa em poucas palavras: bolinhas de chocolate bem forte, com bastante cacau, firmes por fora mas cremosas por dentro, podendo ou não serem saborizadas com frutas, bebidas, especiarias ou condimentos. Sim, é uma boa definição, principalmente para o nosso bolinho, o Bola 8. Mas o nome, trufa, define também uma outra iguaria mais “selvagem”, e ainda mais poderosa: a trufa negra, um tipo de cogumelo subterrâneo que é um dos alimentos mais caros do planeta.

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As trufas negras. Foto retirada do Pinterest

Trufas são as espécies mais raras e nobres de todos os cogumelos. Elas crescem entre 20 e 40 centímetros debaixo da terra, nas raízes de grandes carvalhos e castanheiras. Sua colheita é feita por caçadores que usam cães adestrados para farejá-las. O local é escavado, parte da trufa é deixada – para que possa se reproduzir novamente – e partir daí começa uma verdadeira corrida para enviá-las em menos de 36 horas até todos os seus consumidores ao redor do planeta.

Existem três tipos de trufas: a negra, a branca e a de verão, menos rara. Por ainda não se ter encontrado uma forma de cultivá-la – e pelo seu inigualável aroma – a trufa branca é a mais cara de todas, e o segundo alimento mais caro do mundo, perdendo somente para o caviar. Por duas ocasiões seu valor ultrapassou 100 mil euros em leilões realizados na Itália, mas a mais célebre trufa branca, de Alba, na Itália, custa até 15 mil dólares o quilo.

Ao contrário da branca, a trufa negra já pode ser cultivada: após anos de trabalho, pesquisadores criaram o carvalho trufeiro, que leva até oito anos para produzir os fungos. Encontrados naturalmente entre França, Espanha e Itália, os “diamantes negros”, como já foram chamados, vêm sendo colhidos também no Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, Nova Zelândia e Chile, entre outros – e vendidos por valores entre 700 e 2 mil dólares. Escura, com aspecto mais rugoso e odor menos marcante do que a branca, a trufa negra costuma ser utilizada ralada diretamente nos alimentos ou para saborizar azeites especiais.

Mas e o chocolate?

Por causa da semelhança física com a trufa negra – e, acredito, por se tratarem também de iguarias especiais –, essas maravilhosas bolinhas de chocolate descritas no início do texto ganharam o nome de trufas. No Ora Bolas, optamos por uma outra analogia: a Bola 8, preta, que define a sinuca, fecha o jogo – e não precisa de mais nada.

Fontes: Wikipedia; megacurioso.com; terra.com.br;

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