Babette

Babette

Para presentear todos os sentidos: trouxinhas de carne de codorna desfiada e refogada em azeite trufado com delicado creme de champignon e pedaços do cogumelo fresco. Acompanha molho de codorna. Receita inspirada no filme “A Festa de Babette”.

Ingredientes: codornas, bacon, champignon paris fresco, vinho madeira, vinho branco, azeite trufado, creme de leite fresco, cebola, alho, alho-poró, cenoura, salsão, tomilho, louro, sal, pimenta do reino, gelatina incolor em folha, massa de pastel caseira (farinha, ovo, cachaça, óleo, manteiga, fermento químico, água e sal).

Saiba mais…

A comida em sua total potencialidade: aguçar todos os sentidos, incentivar o toque; tornar as cores mais brilhantes; trazer de volta aromas e pessoas do passado; tornar as vozes mais amigáveis, suaves; estimular todos os receptores de sabor – trazer, enfim, risadas, felicidade. No filme A Festa de Babette, lançado em 1987 (há exatos 30 anos), assistimos a uma comunidade dinamarquesa fria e rígida do século XIX despertar para o mundo dos prazeres através da comida.

O banquete oferecido por Babette, a personagem, – para celebrar o aniversário de morte do pastor e pai de suas anfitriãs na cidade – vai, aos poucos, retirando a sisudez e o puritanismo dos habitantes, aproximando-os. Em uma série memorável de planos-sequência, a fotografia do filme acompanha essa mudança, tornando-se mais colorida, clara, com uma movimentação de câmera mais livre. Na história, todos cumprem o trato feito antes do jantar: ninguém menciona a comida. Nem precisa. O prazer a cada garfada e a riqueza de sensações que cada prato proporciona ficam muito visíveis nos gestos, feições e movimentos de cada um dos convidados. Enquanto isso, o general, que nada sabia do combinado e é um conhecedor da cuisine francesa, mostra em palavras para nós, expectadores, o que eles estão sentindo.

A Festa de Babette/Divulgação

Cena do filme onde a expressão dos convidados já está alterada pela comida

A primeira vez que fiz Babette, o bolinho, experimentei já na primeira das várias etapas de cozimento um lampejo dessa sensação. O aroma desprendido pelo caldo de codorna com vinho madeira – que serve de base para todo o prato – trouxe uma aparentemente despropositada (inexplicável mesmo) sensação de alegria. E assim foi indo: o caldo misturado à carne, o bacon e o azeite trufado (saiba mais sobre esse ingrediente aqui); depois ao creme  de champignon fresco…

A Festa de Babette

As codornas com creme de champignon e trufas negras

No filme, a codorna (nesse caso inteira) com creme de cogumelos e trufas negras abre a série de pratos principais daquele banquete – retirado diretamente da nobreza francesa para abrir os horizontes de uma comunidade parada no tempo. É nesse momento que percebemos que os convidados já estão inevitavelmente presos aos inúmeros prazeres proporcionados pela comida de Babette.

A Festa de Babette/Divulgação

Babette na cozinha

O nosso bolinho foi inspirado nesse prato simbólico de um filme que usa dos meios cinematográficos com maestria para retratar um processo de total entrega aos prazeres (pecados?) da vida – nesse caso, através da comida. Com humildade, acreditamos que ele consegue despertar, um pouco que seja, essa sensação tão boa.

PS: Para quem mora em Florianópolis: o filme está disponível no acervo da vídeo locadora do Paradigma Cine Art, na SC-401. Se ainda não tiver assistido, vale a pena!

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Floresta de Duende

Floresta de Duende

Cremoso bolinho de espinafre recheado com mussarela de búfala, shiitake e cebola ao shoyu.

Ingredientes: espinafre, queijo parmesão, farinha de trigo, ovo, cebola roxa, sal, mussarela de búfala, shiitake e molho de soja (shoyu).

Aguarde mais informações…

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Pub

Pub

Suculentos bolinhos de carne recheados com queijo tipo Reino cremoso em molho encorpado à base de cerveja Stout com shitake.

Ingredientes – Bolinhos: músculo bovino (Angus), alecrim, sal, pimenta do reino, ovo, farinha de rosca e sal. Molho: cebola, alho, cenoura, aipo, alecrim, manteiga, azeite de oliva, ovo, sal, pimenta do reino, queijo tipo Reino, shiitake e cerveja stout.

Mais informações…

O Pub está entre os primeiros bolinhos criados pelo Ora Bolas Food Lab. Ele foi inspirado em uma receita do chef inglês Jamie Oliver, “Torta de filé, cerveja Guinnes e queijo com cobertura de massa folhada”, do livro Jamie em casa: cozinhe para ter uma vida melhor. Uma delícia, ótima para noites frias, como ele indica. Logo que provamos essa iguaria, surgiu a tentação: temos que transformar esse prato em bolinhos! – algo que, confesso, não é raro.

Adaptar uma receita para o formato de bolinhas é sempre um desafio, pois sua essência deve ser preservada. Neste caso, resolvemos deixar de lado a massa folhada e nos concentramos no recheio, que consideramos a “alma” deste prato.

Assim, decidimos usar a carne da receita, músculo bovino (pobre em gorduras e com alta concentração de colágeno), para fazer suculentas almôndegas. Para preservar a origem do prato e garantir sua qualidade, optamos por gado de origem britânica: Angus ou Hereford, famosos por suas carnes marmoreadas e macias.

O queijo da receita, originalmente ralado sobre o molho, foi parar dentro das almôndegas. Jamie Oliver utiliza, obviamente, o mais inglês dos queijos, o cheddar – que nada tem a ver com aquele creme alaranjado que se popularizou em hambúrgueres. O cheddar é um queijo duro, de cor amarelo-pálido, maturado por 9 a 24 meses, criado por volta do século XII na Vila Cheddar, em Somerset. Era o preferido de Henry II, que declarou o cheddar o melhor queijo da Inglaterra. Como não é fácil encontrá-lo nos mercados de Florianópolis, na sua falta optamos por outro queijo “nobre”: o queijo do Reino, uma variação do holandês Edam, semiduro e maturado, o predileto da corte portuguesa.

Pub

Um “pub” típico com a tradicional cerveja Guinness

A principal característica do prato original é o molho, feito com a cerveja irlandesa Guinness. Para o molho do Pub, optamos por uma dry stout produzida por cervejarias artesanais brasileiras, tanto pela questão de preço quanto pela nossa filosofia de valorização de produtores locais – o que não desrespeita a uma súplica de Jamie Oliver: “não use cerveja lager, por favor!”. A dry stout é uma cerveja preta com boa formação de espuma bege e cremosa, de corpo médio, baixo amargor e final seco, com aroma lembrando café devido à intensidade de torra do malte.

Outro importante item do molho é o cogumelo. A indicação de Jamie Oliver é o prataiolo, mas como essa espécie não é encontrada em Florianópolis, escolhemos como substituto o shiitake, fungo rico em proteínas (comparável a alimentos de origem animal) e que apresenta todos os aminoácidos essenciais, além de ser uma ótima fonte de fibras, vitaminas, minerais e ácido fólico. Entre seus benefícios está a melhoria do sistema imunológico.

Desconstruímos um prato para elaborar outro. É por isso que o Ora Bolas é um laboratório de comida. Experimentos que buscam resumir pratos típicos do Brasil e de todo o mundo, concentrando todos os seus sabores e aromas em uma bolinha, às vezes em combinação com vistosos molhos – uma verdadeira viagem gastronômica. Assim surgiu o Pub, que leva esse nome em homenagem às famosas public houses do Reino Unido, frequentadas por 8 entre cada 10 adultos da região, um verdadeiro ícone cultural. O que você está esperando, o primeiro toque de sino para fazer seu último pedido? 

Fontes: Oliver, Jamie. Jamie em casa: cozinhe para ter uma vida melhor. Editora Globo, 2008; Wikipedia; Molho Inglês; Lupulinas; Petit Gastro; Cantinho Vegetariano; Ciência do Leite; Associação Brasileira de Angus; Associação Brasileira de Hereford e Braford.

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