Hassenaá

Suculentos e aromáticos kebabs de peixe e alcaparras acompanhados de molho de berinjela tostada e picles de limão siciliano

Suculentos e aromáticos kebabs de peixe e alcaparras acompanhados de molho de berinjela tostada e picles de limão siciliano

Você já leu aqui sobre o intrincado mosaico de pessoas, culturas e crenças que forma Jerusalém. Estabelecida no IV milênio a.C., a cidade foi destruída e reconstruída pelo menos duas vezes. Em 1538, ao seu redor foram construídas muralhas, que hoje delimitam a Cidade Antiga – formada por quatro bairros: o armênio, o cristão, o judeu e o muçulmano. Mas, como era comum na Antiguidade e mesmo em períodos posteriores, como forma de proteção, outros muros já cercaram Jerusalém.

Hassenaá

Os muros da Cidade Velha em Jerusalém. Foto: Gina Dittmer, Free Stock Photos

Ao longo das muralhas, portões instalados para permitir o acesso à cidade aos poucos se transformavam em pontos de encontro e de negócio, por vezes conhecidos pelo tipo de mercadoria comercializada no local. Assim, havia o Portão das Ovelhas, o Portão dos Peixes, o Portão dos Cavalos… Em uma das vezes que o muro precisou ser reconstruído, de acordo com a história judaico-cristã, no século 5 a.C., durante o domínio do Império Aquemênida, o líder judeu Neemias teria feito um planejamento e dividido a obra em grupos. Aos “filhos de Hassenaá” coube a reconstrução do Portão dos Peixes. É por isso que batizamos de Hassenaá nosso kebab de peixe e alcaparras com molho de berinjela tostada e picles de limão siciliano.

As almôndegas, entre elas kebabs e kaftas, são muito populares em Jerusalém e estão presentes nas mesas de judeus e cristãos, nos restaurantes palestinos e nas receitas de chefs famosos. Existe centenas de variedades de almôndegas, com diferentes formas de preparo. Costumam ser cozidas em molhos ou servidas com gomos de limão ou algum molho leve. Na cidade velha, os kebabs são vendidos na rua ou em kebaberias, geralmente acompanhados de pão sírio, salada picada, cebolas grelhadas e molho de tahine.

Hassenaá

O muro das lamentações com seus arbustos de alcaparras. Foto: Ana Paula Hirama, wikicommons

Nosso Hassenaá é um kebab nada tradicional, receita da dupla de chefs Yotam Ottolengui e Sami Tamimi. Em vez de carne de carneiro, bovina ou de vitela, tem como base o peixe, ingrediente pouco presente na culinária local. Outro item não muito utilizado são as alcaparras, apesar das plantas crescerem em abundância em Jerusalém – esses arbustos surgem nas fissuras das paredes de pedra, e até mesmo o Muro das Lamentações está coberto por eles. Já a berinjela, praticamente uma celebridade local, presente nos mercados da cidade em uma grande variedade de formas e tamanhos, aqui vem na forma de um molho leve feito com iogurte. E os gomos de limão são substituídos por uma conserva rápida de limão siciliano, saborosa e instigante.

Fontes: Ottolenghi, Yottam e Tamimi, Sami. Jerusalém; tradução Eni Rodrigues – 1ª edição – São Paulo – 2012.; Wikipedia.

Changbai

Para os fortes: almôndegas de carnes suína e de ostras em molho superapimentado. Receita de origem chinesa.

Ingredientes: costela suína; ostras; douban jiang (molho chinês de pimenta); vinagre chinkiang; shoyu; xerez seco; nirá; alho; farinha de milho; açúcar; claras de ovos; gengibre; óleo de girassol.

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Changbai é o nome da montanha mais alta dos montes Changbai (norte) e Baekdudaegan (sul), complexo vulcânico localizado na fronteira entre a China e a Coreia do Norte. A Montanha Changbai – ou Monte Paektu, como também é conhecida – é famosa entre os geólogos por ter causado, no século X, a Erupção do Milênio, uma das maiores erupções vulcânicas já registradas. Changbai, o bolinho, tem um potencial tão explosivo quanto – a primeira sensação é de que nossa boca vai soltar lavas de fogo.

Fruto da tradicionalmente picante culinária de Sichuan, também na China, as almôndegas de carne suína e ostra em molho à base de douban jiang provocam uma verdadeira explosão à primeira mordida – que, tal como a erupção de um vulcão, vai aos poucos se arrefecendo para dar lugar a outras nuances do paladar, entre elas o doce, o salgado do shoyu, o ácido do vinagre preto e do xerez e o crocante e suculento do nirá fresco.

O vulcão que abriu a Coreia do Norte

O temor de uma nova Erupção do Milênio, com força 100 vezes superior à do vulcão islandês Eyjafjallajökull – que em 2010 afetou o espaço aéreo europeu causando prejuízo de 5 bilhões de euros – fez com que, pela primeira vez na história, a Coreia do Norte permitisse que uma equipe de cientistas ocidentais cruzasse suas fronteiras. Os alarmes – que permitiram essa exceção dentro do fechado regime ditatorial daquele país – soaram após vários sinais de atividade que o imprevisível vulcão demonstrou entre os anos de 2002 e 2005.

Foto retirada do Pinterest

Lago do Céu, Montanha Changbai

Atualmente, o único ponto em solo norte-coreano que é livre para qualquer pessoa pisar é o Lago do Céu (Lago Chonji em coreano), na cratera da Montanha Changbai, que com seus 14 quilômetros de circunferência e temperaturas que atingem 30 graus abaixo de zero atrai turistas do mundo inteiro. Apenas uma pedra indica a separação entra China e Coreia do Norte, mas não existe nenhum tipo de vigilância militar na região.

No lado chinês do parque, os turistas enfrentam longas filas para conseguir assento em um dos carros que, através de uma estreita estrada, os levam ao topo da montanha – cujo nome em Chinês significa “sempre branca”. O nome coreano, Paektu, significa “cabeça branca” e, segundo a propaganda do governo, é o local de nascimento de Kim Il-Sung, fundador da ideologia Juche (“autosuficiência”) – versão local do comunismo que deu origem ao regime autoritário. Para a cultura coreana e Manchu, da China, o vulcão tem um significado espiritual importante, já que é considerado local de origem de seus povos.

Fontes: el pais.com; blastingnews.com; agênca EFE; Wikipedia; Pinterest

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Dia das Bruxas

Um resumo do saboroso camarão na moranga, prato que teve origem no litoral paulistano e se difundiu e se recriou por todo o país.

Ingredientes – Massa: abóbora “moranga”, caldo de camarão, farinha de trigo, farinha de rosca, ovo caipira e azeite de dendê. Recheio: camarão, catupery, alho, cebola, limão, leite de coco e azeite de dendê.

Aguarde mais informações…

 

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Roda Baiana

Roda Baiana

Um resumo de um dos mais tradicionais pratos da culinária baiana: a moqueca. Acompanha molho de Feijão de Leite Picante

Ingredientes: peixe, azeite de dendê, leite de coco, cebola, tomate, pimentão, coentro, salsinha, pimenta vermelha, farinha de mandioca, polvilho azedo, sal e limão.

Saiba mais…

Neste verão, um divertido “duelo” culinário marcou as redes sociais: qual é a verdadeira moqueca, a baiana ou a capixaba? A polêmica é antiga, mas um meme postado na página do governo do Espírito Santo no Facebook esquentou os ânimos: “Quis me ensinar a melhor receita de moqueca. Logo eu, Espírito Santo”. A prefeitura de Salvador, na Bahia, não deixou barato: “Moqueca sem dendê não é moqueca”. E de pronto veio a resposta: “Moqueca é capixaba, o resto é peixada”.

A base é a mesma: peixe, cebola, tomate, pimenta, coentro e uma ou outra variação de ervas e temperos. Mas a semelhança para por aí. A moqueca baiana é, talvez, a mais conhecida – além dos ingredientes citados, leva pimentão, leite de coco e azeite de dendê, formando um molho denso e condimentado. A moqueca capixaba tem um caldo mais ralo e leva bastante tomate, urucum e azeite doce ou de oliva – e está se popularizando por ser um prato mais leve e menos calórico.

Polêmicas à parte, a moqueca é um dos pratos que mais traduz a origem da culinária brasileira. Em especial a nossa “escolhida”, a baiana, que traz a mistura étnica e cultural que é embrionária em nosso país, entre indígenas, europeus e africanos.

O nome tem origem no termo tupi mokaen, ou “moquém”, que era um tipo de secador para tostar carne. As carnes, em especial a dos peixes, eram envolvidas em folhas ou ervas e colocadas sob a brasa para serem cozidas lentamente em seu próprio suco. Moquear, então, significa cozer lentamente na terra – efeito idêntico ao da panela de barro que, com o calor concentrado, termina de cozinhar a moqueca aos poucos, mesmo após ser retirada do fogo. O assado envolvido em folhas era chamado pokeka, que significa “embrulho”. E daí temos a moqueca.

Com os europeus vieram os temperos: entre eles o pimentão, a cebola e o tomate. O dendê é uma clara influência africana. O leite de coco ajuda a engrossar o caldo e acrescentar um outro sabor típico ao prato – o coqueiro se tornou praticamente uma árvore símbolo da Bahia.

No Ora Bolas, o Roda Baiana também tem um significado embrionário, como já explicamos aqui: foi um dos primeiros bolinhos criados na casa, de onde surgiu a ideia do nosso negócio. E também traduz um dos conceitos primordiais dos nossos bolinhos: resumir o sabor de um prato, uma região ou país em pequenas bolas, que possam ser saboreadas sem louças nem talheres, de forma descontraída, com amigos e familiares ao redor de uma mesa.

O acompanhamento perfeito

Já que a moqueca escolhida é da Bahia, o molho que acompanha o nosso Roda Baiana é o baianíssimo Feijão de Leite – que na nossa versão ganhou um toque apimentado. Uma mistura à primeira vista um pouco esdrúxula de feijão, leite de coco, açúcar e temperos, o molho faz um contraste bastante interessante com pratos que têm o peixe como ingrediente principal.

Na sua roda de amigos do próximo happy hour, junte Roda Baiana com Feijão de Leite Picante e samba de roda – ou a música que você preferir – e bote a baiana pra rodar!

Fontes: Fajans, Jane. Seria a moqueca apenas uma peixada?, Anthropology of food [Online], S6, December 2009;folhavitoria.com; ig.com.br; correio24horas.com.br; wikipedia; facebook.com/institutokaapor

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