Presente vegetariano

EspinafreVocê já leu sobre as condimentadas comidas vegetarianas da Índia aqui. Vamos agora conhecer um pouco mais o ingrediente base do Verde Índia, o espinafre.

A Spinacia oleracea é uma erva rasteira originária do centro e sudoeste da Ásia, pertencente à família das amarantáceas. Esse vegetal de sabor alcalino é rico em nutrientes, como proteínas, sais minerais (ferro e cálcio), vitaminas (A, K e complexo B), fitonutrientes (flavonóides) e fibras, além de outros componentes benéficos à saúde.

Entre os benefícios, podemos citar suas propriedades anticancerígenas e antioxidantes, que combatem o aparecimento de doenças como osteoporose, aterosclerose, hipertensão e catarata. Também possui propriedades anti-inflamatórias, devido à presença de neoxantina e violaxantina.

Devido à grande quantidade de vitamina A, o consumo de espinafre proporciona uma pele mais saudável, favorecendo a retenção adequada de umidade na epiderme. As fibras também ajudam na beleza da pele, pois facilitam o processo de digestão, previnem a constipação e controlam o nível de açúcar no sangue. Já a vitamina K é fundamental para um sistema nervoso saudável e o bom funcionamento do cérebro.

O espinafre também é uma das principais fontes de proteína não proveniente de animais. É, portanto, um ingrediente essencial nas dietas veganas e também nos bolinhos vegetarianos do Ora Bolas Food Lab, como o Floresta de Duende, o Vó Censa e o Verde Índia (que sem o molho é vegano). No Verde Índia ele é acompanhado de outra importante fonte vegetal de proteína, a batata.

Mas, você deve estar se perguntando: e o ferro? Sim, o espinafre possui quantidades significativas deste mineral e também de cálcio, mas ao mesmo tempo apresenta alto índice de ácido oxálico, substância que inibe a sua absorção. O cozimento elimina parte dessa substância, reduzindo o seu efeito indesejado.

Fontes: Wikipedia; http://www.cantinhovegetariano.com.br; http://www.remedio-caseiro.com

Sophia Loren (Polpette al Ragù)

As almôndegas italianas clássicas com ragu napolitano, saboroso molho de carnes com tomates cozido por mais de 10 horas em panela de barro

As almôndegas italianas clássicas com ragu napolitano, saboroso molho de carnes com tomates cozido por mais de 10 horas em panela de barro

Ingredientes: almôndegas – carnes bovina e suína, toucinho, presunto cru, salsinha, orégano, pimenta vermelha, pimenta do reino, farinha de rosca, ovos, ricota fresca, leite, azeite de oliva e sal; ragu napolitano – pernil de porco, costela de porco, salame napolitano, cebola, cenoura, massa de tomates caseira (tomates, sal, açúcar e azeite), vinhos branco e tinto, manteiga, azeite de oliva, louro, sal e pimenta do reino

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Em um sábado qualquer, na sua cidade natal – Pozzuoli, nos arredores de Nápoles, na Itália – Sophia Loren entra num açougue de bairro à procura de carnes para o tradicional ragu. Logo começa um bate-boca típico napolitano: as outras freguesas querem dar palpites sobre a escolha dos ingredientes, o que Sophia Loren, uma dona de casa apaixonada por comida, não aceita.

Sábado, Domingo e Segunda

Cena do filme Sábado, Domingo e Segunda, onde Sophia Loren discute num açougue sobre os melhores ingredientes para o ragu (Reprodução)

A cena, retirada do filme Sábado, Domingo e Segunda, da diretora Lina Wertmüller (primeira mulher da história a ser indicada ao Oscar de melhor direção, pelo filme Pasqualino Sete Belezas, de 1975), é corriqueira há 300 anos em Nápoles e arredores. Aos domingos, quem já passeou pelas ruas da região, com certeza já sentiu no ar o aroma do ragù napoletano, um verdadeiro orgulho nacional. E a manhã de sábado é o último prazo para comprar os ingredientes frescos, já que o molho leva no mínimo 10 horas para ser preparado.

Como indicado no filme, a disputa pela melhor receita leva a discussões acaloradas, mas é consenso que o molho deve levar muitas carnes, MUITOS tomates, cebolas e temperos e ficar muitas horas no fogo, tomando, ao final do preparo, uma consistência densa e coloração escura como sangue. Agora, qual tipo de carne e de vinho, por exemplo, cada um tem o seu – e que ninguém ouse dizer que é errado! Hoje em dia os chefs não costumam levar mais de quatro horas no preparo do molho, o que para quem traz a tradição da família é uma verdadeira ofensa. Ragu é somente aquele que fica um dia ou uma noite inteira no fogo, o resto é carne com molho de tomate.

O escritor napolitano Giuseppe Marotta escreveu em seu conto Il ragù, de 1949:

“o ragù não se cozinha, se consegue, não é um molho, mas a história e o romance e o poema de um molho (…) esse molho trabalhosíssimo empenha quem o prepara como um quadro empenha o pintor. Em nenhuma fase de seu cozimento o ragù deve ser abandonado sozinho; como uma música interrompida e retomada não é mais uma música, assim um ragù negligenciado deixa de ser ragù e perde qualquer possibilidade de tornar-se um (…) O ragù não ferve, pensa; é necessário apenas remover com a colher os seus pensamentos mais profundos, e ter cuidado de que o fogo seja baixo, baixo. Nada induz à reflexão como cuidar de um insigne ragù. Trata-se, repito, de um trabalho longo e difícil, que se executa sonhando. A colher de pau remove na panela com o molho incomparável, tempo e dor.”

Ao final do filme, o ragu é degustado de verdade pelos atores, que têm uma reação que provoca fome mesmo em espectadores que acabaram de sair da mesa. É o retrato fiel do prazer causado por uma boa comida. Assim como no conto napolitano, o ragu passa de um elemento acessório ao papel de protagonista da história. E assim também acontece com o nosso Polpette al Ragù, onde o molho é a verdadeira estrela, e não o bolinho.

Fontes:

Bona, Fabiano Dalla. Ragù: A Imortalização Literária De Um Clássico Da Cozinha Napolitana. UFRJ. (http://www.letras.ufrj.br/neolatinas/media/publicacoes)
Edwald Filho, Rubens. O Cinema Vai À Mesa: histórias e receitas. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2007.
Seed, Diane. Os 100 Melhores Molhos Para Massas: receita original autêntica da Itália. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
Wikipedia

Pecado Original

Pecado Original

Tortinhas de maçã com recheio a la apfelstrudel e massa de doce conventual português

Ingredientes: maçã verde, uva passa, amêndoas em lascas, canela, limão, rum, farinha de trigo, manteiga, açúcar, ovo, banha, sal.

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Você já leu aqui sobre a origem do apfelstrudel; e aqui sobre a história dos doces conventuais portugueses. Agora resta saber: por que misturar duas tradições tão distintas?

A origem dessa ideia veio de um terceiro doce: a torta alemã, como era conhecida na minha casa em São Paulo uma torta de maçãs sem massa coberta por uma farofa doce que fica crocante após ser assada. Naquela época fazíamos a torta apenas com maçãs, limão, canela e a farofa crocante mas, quando comecei a fazê-la em casa, para minhas filhas, acrescentei alguns ingredientes típicos do apfelstrudel, como passas e amêndoas. Ficou divino, e se tornou um dos doces preferidos da minha filha mais velha, Catarina, que adorava ajudar a fazer a farofa.

Pomme

Pomme: a primeira tentativa

Convento Açoriano

Convento Açoriano: a solução

Mas como transformar isso em bolinhas? A primeira tentativa veio com o Pomme: fazer um recheio como o do apfelstrudel, com a farofa doce pré-cozida na frigideira, fechada com massa de torta doce francesa. Ficou muito bom, mas a massa, que é própria para formas, era muito difícil de ser manuseada. Outro problema era a farofa, que na frigideira não tinha a mesma consistência daquela assada, que forma uma crosta mantendo toda a umidade do recheio. Não fiquei contente.

A solução veio com outro doce do nosso cardápio, o Convento Açoriano. A massa fininha típica dos doces conventuais portugueses mantém o recheio aberto ao ir para o forno, abrindo a possibilidade de usar a farofa da torta alemã, transformando-a em delicados docinhos em formato circular, perfeitos para o cardápio do Ora Bolas. Dessa forma, substituímos o Pomme pelo Pecado Original – uma referência “àquela” maçã de Eva mas também ao mais saboroso dos pecados: o da gula!

Escrito por Graziela Storto, cozinheira e co-criadora do Ora Bolas Food Lab

Jerusalém

Jerusalém

Nossa nova versão do Falafel, baseada em receita tradicional de Jerusalém. Acompanha molho de tahine.

Ingredientes: grão-de-bico, cebola, alho, salsinha, coentro, pimenta caiena, cominho em pó, coentro em pó, cardamomo em pó, fermento químico, farinha de trigo, semente de gergelim, óleo de girassol para fritar. Molho: tahine, limão siciliano, alho e sal.

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Jerusalém

Um panorama urbano de Jerusalém. Foto: Balou46, Wikicommons

Uma das cidades mais antigas do mundo, considerada sagrada para judeus, cristãos e religiões islâmicas, Jerusalém se divide e se une em um intrincado mosaico de pessoas, culturas e crenças. “Existem monges gregos ortodoxos; padres ortodoxos russos; judeus chassídicos originários da Polônia; judeus não ortodoxos da Turquia, da Líbia, da França e da Inglaterra; judeus sefardistas que estão na cidade há gerações; muçulmanos palestinos da Cisjordânia, da própria Jerusalém e de outras partes do mundo; judeus asquenazes da Romênia, da Alemanha e da Lituânia, milenares, e mais recentemente sefardistas do Marrocos, do Iraque, do Irã e da Turquia; árabes cristãos e ortodoxos armênios; judeus iemenitas e judeus da Etiópia; coptas da Etiópia; judeus da Argentina e do sul da Índia; religiosas russas de Bucara, no Uzbequistão, que regem um monastério e todo um bairro judeu. Todos esses e muitos, muitos mais criam uma imensa trama de cozinhas”, explicam os chefs Yottam Ottolenghi e Sami Tamimi – ambos nativos de Jerusalém e radicados em Londres – em seu livro sobre a complexa culinária da cidade.

Mas, segundo eles, pelo menos dois alimentos unem quase todas essas culturas: o homus e o falafel (e, no que se trata de ingredientes, o tahine), presentes no dia a dia de todos os cantos da cidade. Já falamos aqui sobre a forte disputa pela origem do falafel, e sobre como a versão mais conhecida pelos brasileiros é justamente a israelense, geralmente servida em forma de sanduíche. Nessa nova receita do Ora Bolas Food Lab, traremos o típico falafel de Jerusalém, acompanhado do molho de tahine (sem iogurte), também típico de lá – e aconselhamos que um belo e autêntico pão pita seja providenciado pra acompanhar a iguaria da forma mais tradicional dessa cidade multicultural. Aqui, trocamos a refrescância da hortelã pela do cardamomo, com sabor mais complexo, acompanhado de ervas como coentro e salsinha. E também trocamos a pimenta verde pela caiena, com um leve sabor adocicado e uma picância que se prolonga no paladar, sem ser agressiva. Tudo isso para nos transportarmos para uma nova viagem sensorial, descobrindo como um mesmo alimento pode adquirir inúmeras nuances de sabores – que carregam consigo as tradições e histórias de uma cultura ou local.

Saiba mais sobre os benefícios do grão-de-bico para a saúde

Fontes:

Ottolenghi, Yottam e Tamimi, Sami. Jerusalém; tradução Eni Rodrigues – 1ª edição – São Paulo – 2012.

Wikipedia

Rote Grütze

Rote Grütze

Doce alemão precursor do nosso sagu, com frutas vermelhas e vinho tinto. Acompanha creme de baunilha

Ingredientes: sagu, morango, amora, mirtilo, framboesa,  vinho tinto, açúcar, canela e limão. Creme:  baunilha em fava, leite, ovo e açúcar.

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Ainda hoje, na casa de meus pais, em Lages (SC), uma das sobremesas mais tradicionais de fim de semana é o sagu. Minha mãe prepara essas minúsculas bolinhas em calda de vinho tinto, sempre acompanhadas de um creme e suspiro, assim como fazia minha nonna, que por sua vez aprendeu com sua mãe, filha de imigrantes da Itália que se instalaram na serra gaúcha no final do século 19. E assim ocorre em centenas de famílias, com a receita passando por gerações, a ponto da sobremesa se tornar emblemática para as colônias italianas do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina.

Assim, cresci com a certeza de que, no que diz respeito a doce, nada mais italiano do que o sagu de vinho. Ledo engano, só desfeito há menos de dois anos, ao fazer uma reportagem sobre a culinária típica das colônias alemãs e italianas do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A descoberta se deu durante uma entrevista com Rene Jensen, proprietário do restaurante Abendbrothaus, de Blumenau, que abre somente aos domingos e possui em seu cardápio apenas um item: marreco recheado e seus tradicionais acompanhamentos – repolho roxo, chucrute, purê de maçã, purê de batatas, aipim frito, salada de batatas, arroz e língua ensopada. Tudo feito pela sua esposa, Josefa Jensen, que aos 9 anos aprendeu a receita com a sua oma, e que há 30 anos delicia seus clientes com este banquete. Depois dele discorrer sobre esta farta refeição, perguntei qual era a sobremesa, se também era típica, e a resposta foi: sim, é sagu. Na hora questionei Rene se essa não era uma receita italiana, e ele me disse não ter certeza, mas que a Josefa também tinha aprendido a fazer o doce com a avó.

rote grutzeNa verdade, a sobremesa típica das colônias italianas tem origem na guloseima alemã rote grütze – que também leva vinho tinto em sua preparação – e na adaptação de sua receita aos ingredientes locais, já utilizados pelos nativos da terra. Na falta de fécula de batata (utilizada para engrossar a calda), os descendentes de alemães Hans e Fritz Lorenz, netos do cientista alemão Fritz Müller, passaram a produzir no começo do século passado a fécula de mandioca que, processada, ganha o nome de sagu (referência à fécula extraída de plantas da Ásia conhecidas como saguzeiros). A interação comercial entre as colônias era cada vez mais intensa, e logo o doce caiu no gosto das famílias de imigrantes italianos, que excluíram da receita original as frutas vermelhas por não encontrá-las em sua nova terra. Um belo – e saboroso – exemplo de como a miscigenação cultural pode enriquecer nossos paladares.

PS: O Rote Grutze é tradicionalmente acompanhado pelo creme de baunilha (saiba mais sobre a fava de baunilha aqui)

Por Alexsandro Vanin, co-criador do Ora Bolas Food Lab

Fonte: Peccini, Rosana. Sagu de Vinho Tinto. http://www.historiadaalimentacao.ufpr.br; Wikipedia

Palla Gialla

Palla Gialla

Bolinho de risoto de açafrão recheado com uma bola inteira de mussarela de búfala

Ingredientes: arroz carnaroli; pistilos de açafrão; mussarela de búfala; queijo parmesão; vinho branco; caldo caseiro de legumes; manteiga; azeite de oliva; cebola; sal; pimenta do reino; salsinha; noz moscada; farinha de trigo; farinha panko.

Leia mais:

Na Itália, principalmente na Sicília, uma tradicional e popular comida de rua é o arancino (arancini, no plural), uma bolinha de risoto recheada e empanada. O nome deve-se à sua semelhança com a laranja (arancia, em italiano), tanto pela cor quanto pela forma, só que menor do que a fruta.

Arancini em Palermo

Os arancini são uma das principais comidas de rua de Palermo, na Sicíclia

A origem dos arancini remonta ao século 10, época da ocupação sarracena na ilha. Os árabes costumavam servir em seus banquetes uma bandeja de arroz aromatizado com açafrão guarnecida com legumes e carnes – foram eles, inclusive, que introduziram o açafrão, a pimenta, a noz-moscada e a laranja na região, entre outras especiarias e vegetais.

Mas foi cerca de dois séculos depois que eles ganharam a forma e a crocância características. Diz-se que o prato agradava tanto Frederico II, rei da Sicília (entre tantos outros títulos), que ele desejava levar a iguaria para suas viagens e caçadas. A solução encontrada foi empanar e fritar pequenas bolas dessa mistura, o que ajudou a conservar o arroz e seus temperos por mais tempo, além de facilitar o seu transporte. A portabilidade logo conquistou quem trabalhava no campo, e centenas e centenas de anos depois as ruas de toda a Itália.

Os arancini são, portanto, em sua essência, predecessores do Ora Bolas Food Lab: práticos e saborosos, feitos para serem comidos com as mãos. Para introduzi-los em nosso cardápio, escolhemos uma refinada versão com risotto alla milanese (com açafrão, como é típico em Palermo, cidade que disputa com a Catânia a origem da receita siciliana), o que lhe confere uma coloração amarela. Para o recheio, uma deliciosa mussarela de búfala, que escorre pelas bordas após a primeira mordida. Andiamo mangiare la Palla Gialla e buon appetito miei amici!

Goa, um estado indiano bem familiar

Robbin, wikicommons

Praia de Colva, Goa. Imagem: Robbin, wikicommons

Goa é o menor estado da Índia em território, o quarto menor em população e o mais rico em PIB per capita. Cenário de praias paradisíacas e natureza exuberante – em especial na época das monções –, possui ainda uma rica arquitetura, com igrejas e conventos considerados patrimônio da humanidade pela Unesco. Mas espera, igrejas… conventos? Na Índia?

wikicommons

Capela de Santa Catarina, Goa Velha

Sim, assim como o Brasil, Goa foi colônia de Portugal por mais de 400 anos, tendo sido inclusive a capital do Estado Português na Índia, instaurado a partir de 1510. A língua oficial é o concani, mas até hoje existem pessoas, principalmente as mais velhas, que falam português por ali – afinal, o domínio português teve fim apenas em 1961, quando o exército indiano, recém independente do Império Britânico, derrotou as forças militares portuguesas e tomou de volta a região. Uma outra herança portuguesa, e da Inquisição: Goa é o único estado indiano onde existem cristãos, cerca de 25% da população. A maior parte, como no resto da Índia, é hindu.

Srividya. wikicommons

Cachoeira de Dudhsagar. Imagem: Srividya. wikicommons

Uma outra semelhança com o Brasil é um fato curioso: Goa é o único lugar na Índia onde existe Carnaval. As celebrações se resumem a desfiles de rua com carros enfeitados, que se revesam durante os quatro dias de festa nas principais cidades do estado, entre elas a capital Panjim, Mapusa, Margão e Vasco da Gama – todas no interior. É também no interior do estado, pouco procurado pelos turistas, que se pode entrar em contato com toda a exuberância da natureza local, com campos verdejantes e cachoeiras, sendo a mais conhecida a cachoeira de Dudhsagar.

As praias são muito frequentadas por turistas, tanto indianos quanto estrangeiros, com destaque para os russos. Muitos russos já possuem inclusive casas de veraneio no estado, e existem placas informativas em russo em quase todas as praias. São lugares muito parecidos com muitas praias do norte e nordeste do Brasil, com barracas que vendem frutos do mar e cadeiras para descansar. Com uma diferença: a companhia das vacas. Como em toda a Índia, é comum que as vacas passeiem por todos os lugares da cidade, inclusive nas praias, com direito a banho de mar e tudo.

Leia também:
Goa Noir: a trufa inspirada em Goa
Índia: vegetarianismo apimentado
Culinária indiana: boa para o corpo e para o paladar

Fontes: Wikipedia; 360meridianos.com; tudoindia.com.br

Thai

Thai Balls

Bolinhos de linguiça com ervas e especiarias típicas da Tailândia. Acompanha molho caseiro de pimenta doce

Ingredientes: bolinho – linguiça de pernil, gengibre, capim limão, pimenta vermelha, alho, pimenta do reino, manjericão, molho de peixe; molho – pimenta dedo de moça, gengibre, alho, vinagre de arroz, açúcar.

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Acho que uma das melhoras formas de se conhecer uma cidade é caminhar por suas ruas – pedalar também é uma boa opção. A velocidade de um carro ou de um ônibus não permite observar detalhes que somente uma caminhada tranquila e sem compromisso pode revelar. Livres do “conforto” do ar-condicionado dos veículos, aromas não passarão despercebidos, fisgando-nos para novos sabores, novas sensações.

Essa nova experiência pode estar ali mesmo, na rua. Livre-se de preconceitos e prove o que o povo local come. Não vá apenas aos endereços da moda, frequentados principalmente por turistas, arrisque-se em estabelecimentos tradicionais, ouse provar a comida das barraquinhas de feiras e ruas. Certamente você terá uma história única para contar, e ainda poderá se surpreender.

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Mercado flutuante na Tailândia. Foto: Georgie Pauwels, Wikicommons

Na Tailândia, por exemplo, comida de rua é uma verdadeira instituição cultural, repleta de receitas de família e pratos típicos. A capital, Bangkok, é considerada uma das melhores cidades do mundo para se provar comida de rua, tanto pela variedade quanto pela qualidade (observe as barracas mais procuradas) e também pela abundância de vendedores, presentes inclusive em canoas nos mercados flutuantes.

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Vendedores de rua. Foto: wikicommons

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Petiscos de insetos. Foto: wikicommons

Uma das principais características da culinária tailandesa, a combinação dos cinco sentidos fundamentais do gosto (azedo, doce, salgado, amargo e picante) não é exclusividade dos chefs de restaurantes renomados. A céu aberto, pratos são preparados com ingredientes muito aromáticos e picantes na frente dos fregueses que, à noite, quando as temperaturas são mais agradáveis, costumam se sentar em mesas comunitárias. Difícil resistir ao aroma exalado pelas ervas, raízes, folhas, sementes e outros condimentos utilizados, como coentro, alho, folhas de limão kafir, talos de capim limão, nam pla (molho de peixe), leite de coco, galanga (raiz da família do gengibre) e, claro, pimentas.

Nosso bolinho Thai é inspirado em hambúrgueres de porco costumeiramente servidos nas ruas das cidades tailandesas. No seu preparo não falta alho, gengibre, pimentas, capim limão e molho de peixe tradicionais, aos quais adicionamos manjericão. Fica ainda mais gostoso com algumas gotas de limão e uma boa dose de molho de pimenta doce, típico da Tailândia – mas feito pelo próprio Ora Bolas Food Lab. Entregue-se a esta experiência e descubra que sentidos Thai pode despertar.

Fontes: Wikipedia; www.viajenaviagem.com; www.destemperados.com.br; www.fourseasons.com; www.foodmagazine.com.br

Retornar ao Cardápio

Parabéns, Floripa!

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Hoje, 23 de março de 2017, Florianópolis comemora 344 anos. Em sua homenagem, elaboramos um cardápio especial, entregue ontem, a partir de ingredientes típicos da cidade e do estado ou de suas origens. Sobre os bolinhos, já publicamos aqui suas histórias e curiosidades, mas agora gostaríamos de deixar registrado a relação deles com a cidade que escolhemos para viver.

Changbai. O que uma receita chinesa de almôndegas tem a ver com Floripa? Primeiro, um de seus principais ingredientes é a ostra, molusco que o município ajudou a inserir na maricultura brasileira. Hoje é o segundo maior criador no País e responsável por mais de 90% das sementes de ostras cultivadas no Brasil. Junto com outras oito cidades do estado, faz de Santa Catarina o maior produtor nacional, com 98% da produção total.
Logo cedo, no início do dia, elas são colhidas, limpas e despachadas de avião para o restante do país, especialmente a cidade de São Paulo, um dos principais polos gastronômicos mundiais. Lá, é comum os restaurantes anunciarem, como se fosse uma grife: temos ostras vivas de Santa Catarina.
Segundo, outro ingrediente básico deste bolinho, a carne suína, é também um produto em que o estado lidera o ranking de produção (cerca de um terço do total nacional). A suinocultura é tradicional em Santa Catarina, e sua carne é reconhecida internacionalmente pela qualidade e status sanitário, o que faz do estado responsável por 80% das exportações brasileiras.
Mas qual a relação com a China? Esse país responde pela maior produção mundial de ostras (80% do total) e de suínos (51%). Nesta receita da sofisticada culinária da província de Sichuan, temos uma combinação, a início estranha, de carne suína e ostras em forma de almôndegas, em um molho agridoce de pimentas vermelhas e feijão fermentado (douban jiang), considerado a “alma” da cozinha de Sichuan.

Convento Açoriano. O nome do bolinho doce do cardápio comemorativo deixa clara a sua ligação com a nossa linda Ilha de Santa Catarina: os portugueses açorianos são os seus principais colonizadores. Os primeiros começaram a chegar por volta do início do século 18, buscando na ilha daqui melhores condições de vida do que as oferecidas nas ilhas de lá – o povo do Arquipélago dos Açores sofria com a fome decorrente da explosão populacional, do desenvolvimento econômico precário e de abalos sísmicos na região.
Mas, até chegar ao destino, enfrentaram espaço insuficiente nos navios, falta de água e comida fresca e condições mínimas de higiene, o que causou a morte de dezenas de pessoas.
Aqueles que sobreviveram à dura travessia do Atlântico estabeleceram em março de 1748 a primeira colônia, às margens da Lagoa da Conceição. Pouco depois, novas colônias foram estabelecidas em Santo Antônio de Lisboa e no Ribeirão da Ilha.
Os açorianos deixaram profundas marcas em Florianópolis: a cultura, o folclore, a religiosidade, o jeito de falar… E também dos Açores veio a inspiração para mais um bolinho Ora Bolas, o Convento Açoriano, uma versão das Queijadas da Vila Franca do Campo, doce conventual original da Ilha de São Miguel.

Convento Açoriano

Convento Açoriano

Uma versão das queijadas de Vila Franca do Campo, doce conventual típico da Ilha de São Miguel, nos Açores

Ingredientes: farinha; ovos; banha; manteiga; açúcar; sal; leite; coalho; açúcar de confeiteiro

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Como o próprio nome diz, a história da doçaria conventual portuguesa tem origem nos conventos do século XV e é fruto da expansão do comércio de açúcar obtida com o cultivo de cana na Ilha da Madeira e em outras colônias portuguesas. Até então, havia uma tradição de doces produzidos com mel – mas o açúcar, com seus vários pontos de calda, abriu horizontes para as mulheres que muitas vezes acabavam nos conventos por uma imposição social, não por vocação, e tinham na doçaria seu passatempo. Na colônia portuguesa dos Açores, em especial, entre 1533 e 1832 as principais famílias das ilhas de São Miguel, Faial e São Jorge viam na vida religiosa de suas filhas donzelas uma maneira de evitar a dispersão do patrimônio familiar e assegurar ao seu clã um elevado estatuto social.

O uso abundante das gemas de ovos nesses doces tem relação direta com o uso das claras de ovos dentro dos conventos. As claras eram utilizadas para confecção de hóstias, para engomar os hábitos (roupas) das freiras – e também roupas elegantes de homens ricos – e como elemento purificador na produção de vinho branco. Até então, as gemas excedentes eram muitas vezes colocadas no lixo ou servidas como alimento aos animais. Com a chegada do açúcar, elas ganharam um novo destino – bem mais saboroso.

José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

Convento de Santo André, Vila Franca do Campo Foto: José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

O nosso Convento Açoriano tem origem na Vila Franca do Campo, primeira capital da Ilha de São Miguel, nos Açores, após a colonização portuguesa. A hoje famosa Queijada da Vila começou a ser fabricada no Convento de Santo André, erguido no século XVI. Hoje em dia não é mais produzida dentro do convento, mas por duas famílias que guardam sigilo absoluto sobre a receita original – não se sabe se realmente existe algum segredo ou se essa é apenas uma forma de acrescentar charme ao já saboroso doce. Na versão Ora Bolas Food Lab, as queijadas são menores, como petiscos, e têm uma massa bem fininha e crocante (típica dos doces portugueses), recheada com um creme doce – com o açúcar e as gemas – que ganha como contraponto o gostinho azedo da coalhada seca caseira. É mesmo para comer rezando!

Fontes: Wikipedia; Martins, Rui de Souza. As Artes Conventuais nos Açores e o Processo de Criação do Arcano Místico da Ribeira Grande. Universidade dos Açores; arteconventual.com.br; imaginacaoativa.wordpress.com; docesconventuaisdaflor.blogspot.com.br