Cardápio de 20 de outubro

O cardápio desta semana é um retorno às origens. Começamos o roteiro pelos Campos de Lages, minha terra natal; de lá veio a inspiração para Os Pistoleiros – almôndegas de linguiça campeira em molho balsâmico de cebola roxa. A opção vegetariana vem do livro de receitas da família Storto: Vó Censa, versão da torta da Vó Vicentina, uma verdadeira matriarca, cuja história você pode conhecer no link abaixo. Já a sobremesa nos leva mais longe, ao Marrocos, terra das deliciosas – e misteriosas – Ghribas de nozes e baunilha.

Os Pistoleiros: almôndegas de linguiça campeira com molho balsâmico de cebola – R$ 35,00 – porção de 300 gramas;

Vó Censa: tortinhas de massa de pastel recheadas com verduras e queijo parmesão. Inspirado em uma tradicional receita de família, a “torta da Vó Vicentina” – R$ 20,00 – porção com 250 gramas;

Ghriba: instigante docinho marroquino com nozes e especiarias, crocante por fora e cremoso por dentro – R$ 15,00 – porção com 6 bolinhos.

Os bolinhos são entregues prontos para consumo, basta aquecê-los na hora de servir. Cada porção é suficiente para duas pessoas petiscarem. Em geral, as três opções juntas podem render uma refeição para duas pessoas.

Sobre as formas de pedido: você pode pedir pelo WhatsApp (48 99127-0099), e-mail pedidos@orabolasfoodlab.com e Facebook Messenger.

Lembramos que o pedido deve ser feito até quarta-feira de manhã, e ao fazê-lo deve ser indicada a quantidade de porções e a forma de entrega – ponto de retirada ou delivery.

Bom apetite!

Equinócio (Tang Yuan)

IMG_8612Nossa versão do Tang Yuan, bolinho chinês no caldo servido tradicionalmente durante o Festival das Lanternas, em comemoração à chegada da primavera 

Ingredientes: recheio do bolinho – carne de porco, camarão, cogumelo seco, cogumelo shitake fresco, repolho, ovo, cinco especiarias chinesas, molho de soja (shoyu), gengibre, cebolinha e sal; massa do bolinho – farinha de arroz glutinoso e água; caldo de frango.

Saiba mais…

Na China, o Ano Novo – que não começa em 1º de janeiro, mas sim na primeira lua nova do calendário lunissolar chinês, o que ocorre entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro – é recebido com uma série de comemorações, que se iniciam no oitavo dia do último mês e se estendem até o 15º dia no novo ano. Por coincidir com o fim do inverno, o período é também chamado de Festival da Primavera.

Este é o festival mais importante para os chineses. É época de se reunir com a família, não importa o quão distante esteja, para o jantar da véspera do Ano Novo. Os dias que se seguem são tempo para prestar homenagens aos ancestrais e membros mais velhos da família, visitar templos, encontrar amigos e trocar saudações e lembranças. Pela cidade há queima de fogos de artifício (hoje proibida nas grandes cidades), apresentações de teatro de fantoches e de sombras, e atrações folclóricas como a Dança do Leão, a Dança do Dragão e equilibristas em pernas de pau.

Esta pintura, feita por um pintor da corte imperial em 1485, descreve o imperador Chenghua desfrutando as festividades com famílias na Cidade Proibida durante o Festival das Lanternas Tradicionais. Inclui performances acrobáticas, óperas, shows de magia e provocando fogos de artifício.

Pintura de 1485 descreve o imperador desfrutando o Festival das Lanternas

No último dia das festas de Ano Novo os chineses se concentram nas ruas para confraternizar, quando ocorre o Festival das Lanternas, considerado o mais recreativo e participativo da China. Além das próprias lanternas, dos mais variados formatos e tamanhos, espalhadas por toda a cidade – há inclusive parques de lanternas criados apenas para o festival – e das outras atrações, resolver enigmas escritos por calígrafos nas lanternas é um desafio muito procurado.

Outro símbolo do Festival das Lanternas é o Tang Yuan, também chamado de Yuanxiao. Trata-se de um bolinho de farinha de arroz glutinoso com recheios diversos, servido em um caldo como prato salgado ou, geralmente, doce. A forma redonda do bolinho de cor branca, além de lembrar a lua cheia que brilha no céu desta noite, simboliza a união e coesão da família. Não comer a iguaria é como não ter celebrado o Ano Novo e a primavera que vem chegando.

No Brasil, seguimos outro calendário e estamos em outro hemisfério. Mas, principalmente no sul do país, a chegada da primavera é esperada com ansiedade depois do frio do inverno. Para celebrar, o Ora Bolas Food Lab escolheu duas versões de tang yuan: uma salgada, batizada de Equinócio, e outra doce, o Luar de Primavera.

O Equinócio é recheado com carne suína, camarões, cogumelos, repolho, gengibre e especiarias. O caldo escolhido é o de frango, tanto pelo sabor e propriedades quanto pela sua simbologia. Pratos de frango não podem ser excluídos das comemorações do Festival da Primavera, pois em chinês sua pronúncia (“ji”) significa auspiciosidade. Além disso, o atual ano chinês, que começou em 28 de janeiro, tem como regente o Galo de Fogo.

Fontes: Wikipedia; China.org.cn; Travel China Guide; Epoch Times; China na minha vida

 

Hassenaá

Suculentos e aromáticos kebabs de peixe e alcaparras acompanhados de molho de berinjela tostada e picles de limão siciliano

Suculentos e aromáticos kebabs de peixe e alcaparras acompanhados de molho de berinjela tostada e picles de limão siciliano

Você já leu aqui sobre o intrincado mosaico de pessoas, culturas e crenças que forma Jerusalém. Estabelecida no IV milênio a.C., a cidade foi destruída e reconstruída pelo menos duas vezes. Em 1538, ao seu redor foram construídas muralhas, que hoje delimitam a Cidade Antiga – formada por quatro bairros: o armênio, o cristão, o judeu e o muçulmano. Mas, como era comum na Antiguidade e mesmo em períodos posteriores, como forma de proteção, outros muros já cercaram Jerusalém.

Hassenaá

Os muros da Cidade Velha em Jerusalém. Foto: Gina Dittmer, Free Stock Photos

Ao longo das muralhas, portões instalados para permitir o acesso à cidade aos poucos se transformavam em pontos de encontro e de negócio, por vezes conhecidos pelo tipo de mercadoria comercializada no local. Assim, havia o Portão das Ovelhas, o Portão dos Peixes, o Portão dos Cavalos… Em uma das vezes que o muro precisou ser reconstruído, de acordo com a história judaico-cristã, no século 5 a.C., durante o domínio do Império Aquemênida, o líder judeu Neemias teria feito um planejamento e dividido a obra em grupos. Aos “filhos de Hassenaá” coube a reconstrução do Portão dos Peixes. É por isso que batizamos de Hassenaá nosso kebab de peixe e alcaparras com molho de berinjela tostada e picles de limão siciliano.

As almôndegas, entre elas kebabs e kaftas, são muito populares em Jerusalém e estão presentes nas mesas de judeus e cristãos, nos restaurantes palestinos e nas receitas de chefs famosos. Existe centenas de variedades de almôndegas, com diferentes formas de preparo. Costumam ser cozidas em molhos ou servidas com gomos de limão ou algum molho leve. Na cidade velha, os kebabs são vendidos na rua ou em kebaberias, geralmente acompanhados de pão sírio, salada picada, cebolas grelhadas e molho de tahine.

Hassenaá

O muro das lamentações com seus arbustos de alcaparras. Foto: Ana Paula Hirama, wikicommons

Nosso Hassenaá é um kebab nada tradicional, receita da dupla de chefs Yotam Ottolengui e Sami Tamimi. Em vez de carne de carneiro, bovina ou de vitela, tem como base o peixe, ingrediente pouco presente na culinária local. Outro item não muito utilizado são as alcaparras, apesar das plantas crescerem em abundância em Jerusalém – esses arbustos surgem nas fissuras das paredes de pedra, e até mesmo o Muro das Lamentações está coberto por eles. Já a berinjela, praticamente uma celebridade local, presente nos mercados da cidade em uma grande variedade de formas e tamanhos, aqui vem na forma de um molho leve feito com iogurte. E os gomos de limão são substituídos por uma conserva rápida de limão siciliano, saborosa e instigante.

Fontes: Ottolenghi, Yottam e Tamimi, Sami. Jerusalém; tradução Eni Rodrigues – 1ª edição – São Paulo – 2012.; Wikipedia.

Casbá

Trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau

Trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau

Casbás são pequenas cidades muradas encontradas por todo o norte da África. Suas altas muralhas protegiam a população berbere de invasões e ataques, das temidas tempestades de areia e do frio intenso das noites do Saara, quando a temperatura pode cair abaixo de zero. Geralmente com plantas quadradas e torres nos cantos, eram erguidas em adobe (tijolos de terra crua e palha), o que ajudava a garantir conforto térmico no interior das casas. No passado, muitas delas faziam parte da rota das caravanas que cruzavam o deserto. Hoje, algumas são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco, como a Casbá de Argel, na Argélia, construída no século 4; a de Aït-Ben-Haddou, no Marrocos, do século 8; e a de Sousse, na Tunísia, do século 9 – países da região conhecida como Magrebe.

Casbá

Casbá de Aït Benhaddou, no Marrocos. Foto: China_Crisis, wikicommons

Uma das mercadorias levadas pelas caravanas da época eram as tâmaras, frutos de uma palmeira típica dos oásis do Saara. Até hoje é uma das principais fontes de sustento de muitas famílias, que se dedicam inteiras à atividade. Na época da colheita, crianças e mulheres ajudam os homens a separar as melhores tâmaras, que depois são levadas aos mercados no lombo de animais. Além do valor como mercadoria, a tâmara é um importante item de alimentação desse povo, pois é muito energética – especialmente a seca – e é rica em magnésio, ferro e potássio (três vezes mais do que a banana).

Tâmara, Casbá

Uma tamareira carregada. Foto: Seweryn Olkowicz, wikicommons

As tâmaras são o ingrediente principal do recheio de um doce popular nos países do Magrebe, o makrout, um bolinho feito com semolina. Na Argélia, judeus costumam prepará-lo para celebrar o Rosh Hashana (ano novo); em Marrocos, é uma receita tradicional do Ramadã, ideal para repor a energia perdida durante o jejum muçulmano. Geralmente ela é misturada a amêndoas, mel e água de flor de laranjeira.

No Ora Bolas Food Lab, deixamos a massa de lado e utilizamos o recheio como ideia para uma trufa sem açúcar, sem leite e sem glúten. Retiramos o mel e adicionamos cacau e condimentos a esta mistura, que depois de moldada em bolinhas é coberta de mais cacau. Todos esses ingredientes ajudam a combater o estresse e a ansiedade, o nervosismo e a agitação. Este é o Casbá, nosso primeiro doce funcional!

Fontes: Wikipedia; Unesco; Globo Repórter; Marrocos.com;  www.lesjoyauxdesherazade.com; moroccotravelblog.com

Jerusalém

Jerusalém

Nossa nova versão do Falafel, baseada em receita tradicional de Jerusalém. Acompanha molho de tahine.

Ingredientes: grão-de-bico, cebola, alho, salsinha, coentro, pimenta caiena, cominho em pó, coentro em pó, cardamomo em pó, fermento químico, farinha de trigo, semente de gergelim, óleo de girassol para fritar. Molho: tahine, limão siciliano, alho e sal.

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Jerusalém

Um panorama urbano de Jerusalém. Foto: Balou46, Wikicommons

Uma das cidades mais antigas do mundo, considerada sagrada para judeus, cristãos e religiões islâmicas, Jerusalém se divide e se une em um intrincado mosaico de pessoas, culturas e crenças. “Existem monges gregos ortodoxos; padres ortodoxos russos; judeus chassídicos originários da Polônia; judeus não ortodoxos da Turquia, da Líbia, da França e da Inglaterra; judeus sefardistas que estão na cidade há gerações; muçulmanos palestinos da Cisjordânia, da própria Jerusalém e de outras partes do mundo; judeus asquenazes da Romênia, da Alemanha e da Lituânia, milenares, e mais recentemente sefardistas do Marrocos, do Iraque, do Irã e da Turquia; árabes cristãos e ortodoxos armênios; judeus iemenitas e judeus da Etiópia; coptas da Etiópia; judeus da Argentina e do sul da Índia; religiosas russas de Bucara, no Uzbequistão, que regem um monastério e todo um bairro judeu. Todos esses e muitos, muitos mais criam uma imensa trama de cozinhas”, explicam os chefs Yottam Ottolenghi e Sami Tamimi – ambos nativos de Jerusalém e radicados em Londres – em seu livro sobre a complexa culinária da cidade.

Mas, segundo eles, pelo menos dois alimentos unem quase todas essas culturas: o homus e o falafel (e, no que se trata de ingredientes, o tahine), presentes no dia a dia de todos os cantos da cidade. Já falamos aqui sobre a forte disputa pela origem do falafel, e sobre como a versão mais conhecida pelos brasileiros é justamente a israelense, geralmente servida em forma de sanduíche. Nessa nova receita do Ora Bolas Food Lab, traremos o típico falafel de Jerusalém, acompanhado do molho de tahine (sem iogurte), também típico de lá – e aconselhamos que um belo e autêntico pão pita seja providenciado pra acompanhar a iguaria da forma mais tradicional dessa cidade multicultural. Aqui, trocamos a refrescância da hortelã pela do cardamomo, com sabor mais complexo, acompanhado de ervas como coentro e salsinha. E também trocamos a pimenta verde pela caiena, com um leve sabor adocicado e uma picância que se prolonga no paladar, sem ser agressiva. Tudo isso para nos transportarmos para uma nova viagem sensorial, descobrindo como um mesmo alimento pode adquirir inúmeras nuances de sabores – que carregam consigo as tradições e histórias de uma cultura ou local.

Saiba mais sobre os benefícios do grão-de-bico para a saúde

Fontes:

Ottolenghi, Yottam e Tamimi, Sami. Jerusalém; tradução Eni Rodrigues – 1ª edição – São Paulo – 2012.

Wikipedia

Goa, um estado indiano bem familiar

Robbin, wikicommons

Praia de Colva, Goa. Imagem: Robbin, wikicommons

Goa é o menor estado da Índia em território, o quarto menor em população e o mais rico em PIB per capita. Cenário de praias paradisíacas e natureza exuberante – em especial na época das monções –, possui ainda uma rica arquitetura, com igrejas e conventos considerados patrimônio da humanidade pela Unesco. Mas espera, igrejas… conventos? Na Índia?

wikicommons

Capela de Santa Catarina, Goa Velha

Sim, assim como o Brasil, Goa foi colônia de Portugal por mais de 400 anos, tendo sido inclusive a capital do Estado Português na Índia, instaurado a partir de 1510. A língua oficial é o concani, mas até hoje existem pessoas, principalmente as mais velhas, que falam português por ali – afinal, o domínio português teve fim apenas em 1961, quando o exército indiano, recém independente do Império Britânico, derrotou as forças militares portuguesas e tomou de volta a região. Uma outra herança portuguesa, e da Inquisição: Goa é o único estado indiano onde existem cristãos, cerca de 25% da população. A maior parte, como no resto da Índia, é hindu.

Srividya. wikicommons

Cachoeira de Dudhsagar. Imagem: Srividya. wikicommons

Uma outra semelhança com o Brasil é um fato curioso: Goa é o único lugar na Índia onde existe Carnaval. As celebrações se resumem a desfiles de rua com carros enfeitados, que se revesam durante os quatro dias de festa nas principais cidades do estado, entre elas a capital Panjim, Mapusa, Margão e Vasco da Gama – todas no interior. É também no interior do estado, pouco procurado pelos turistas, que se pode entrar em contato com toda a exuberância da natureza local, com campos verdejantes e cachoeiras, sendo a mais conhecida a cachoeira de Dudhsagar.

As praias são muito frequentadas por turistas, tanto indianos quanto estrangeiros, com destaque para os russos. Muitos russos já possuem inclusive casas de veraneio no estado, e existem placas informativas em russo em quase todas as praias. São lugares muito parecidos com muitas praias do norte e nordeste do Brasil, com barracas que vendem frutos do mar e cadeiras para descansar. Com uma diferença: a companhia das vacas. Como em toda a Índia, é comum que as vacas passeiem por todos os lugares da cidade, inclusive nas praias, com direito a banho de mar e tudo.

Leia também:
Goa Noir: a trufa inspirada em Goa
Índia: vegetarianismo apimentado
Culinária indiana: boa para o corpo e para o paladar

Fontes: Wikipedia; 360meridianos.com; tudoindia.com.br

Thai

Thai Balls

Bolinhos de linguiça com ervas e especiarias típicas da Tailândia. Acompanha molho caseiro de pimenta doce

Ingredientes: bolinho – linguiça de pernil, gengibre, capim limão, pimenta vermelha, alho, pimenta do reino, manjericão, molho de peixe; molho – pimenta dedo de moça, gengibre, alho, vinagre de arroz, açúcar.

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Acho que uma das melhoras formas de se conhecer uma cidade é caminhar por suas ruas – pedalar também é uma boa opção. A velocidade de um carro ou de um ônibus não permite observar detalhes que somente uma caminhada tranquila e sem compromisso pode revelar. Livres do “conforto” do ar-condicionado dos veículos, aromas não passarão despercebidos, fisgando-nos para novos sabores, novas sensações.

Essa nova experiência pode estar ali mesmo, na rua. Livre-se de preconceitos e prove o que o povo local come. Não vá apenas aos endereços da moda, frequentados principalmente por turistas, arrisque-se em estabelecimentos tradicionais, ouse provar a comida das barraquinhas de feiras e ruas. Certamente você terá uma história única para contar, e ainda poderá se surpreender.

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=35792509

Mercado flutuante na Tailândia. Foto: Georgie Pauwels, Wikicommons

Na Tailândia, por exemplo, comida de rua é uma verdadeira instituição cultural, repleta de receitas de família e pratos típicos. A capital, Bangkok, é considerada uma das melhores cidades do mundo para se provar comida de rua, tanto pela variedade quanto pela qualidade (observe as barracas mais procuradas) e também pela abundância de vendedores, presentes inclusive em canoas nos mercados flutuantes.

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Vendedores de rua. Foto: wikicommons

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1481598

Petiscos de insetos. Foto: wikicommons

Uma das principais características da culinária tailandesa, a combinação dos cinco sentidos fundamentais do gosto (azedo, doce, salgado, amargo e picante) não é exclusividade dos chefs de restaurantes renomados. A céu aberto, pratos são preparados com ingredientes muito aromáticos e picantes na frente dos fregueses que, à noite, quando as temperaturas são mais agradáveis, costumam se sentar em mesas comunitárias. Difícil resistir ao aroma exalado pelas ervas, raízes, folhas, sementes e outros condimentos utilizados, como coentro, alho, folhas de limão kafir, talos de capim limão, nam pla (molho de peixe), leite de coco, galanga (raiz da família do gengibre) e, claro, pimentas.

Nosso bolinho Thai é inspirado em hambúrgueres de porco costumeiramente servidos nas ruas das cidades tailandesas. No seu preparo não falta alho, gengibre, pimentas, capim limão e molho de peixe tradicionais, aos quais adicionamos manjericão. Fica ainda mais gostoso com algumas gotas de limão e uma boa dose de molho de pimenta doce, típico da Tailândia – mas feito pelo próprio Ora Bolas Food Lab. Entregue-se a esta experiência e descubra que sentidos Thai pode despertar.

Fontes: Wikipedia; www.viajenaviagem.com; www.destemperados.com.br; www.fourseasons.com; www.foodmagazine.com.br

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Changbai

Para os fortes: almôndegas de carnes suína e de ostras em molho superapimentado. Receita de origem chinesa.

Ingredientes: costela suína; ostras; douban jiang (molho chinês de pimenta); vinagre chinkiang; shoyu; xerez seco; nirá; alho; farinha de milho; açúcar; claras de ovos; gengibre; óleo de girassol.

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Changbai é o nome da montanha mais alta dos montes Changbai (norte) e Baekdudaegan (sul), complexo vulcânico localizado na fronteira entre a China e a Coreia do Norte. A Montanha Changbai – ou Monte Paektu, como também é conhecida – é famosa entre os geólogos por ter causado, no século X, a Erupção do Milênio, uma das maiores erupções vulcânicas já registradas. Changbai, o bolinho, tem um potencial tão explosivo quanto – a primeira sensação é de que nossa boca vai soltar lavas de fogo.

Fruto da tradicionalmente picante culinária de Sichuan, também na China, as almôndegas de carne suína e ostra em molho à base de douban jiang provocam uma verdadeira explosão à primeira mordida – que, tal como a erupção de um vulcão, vai aos poucos se arrefecendo para dar lugar a outras nuances do paladar, entre elas o doce, o salgado do shoyu, o ácido do vinagre preto e do xerez e o crocante e suculento do nirá fresco.

O vulcão que abriu a Coreia do Norte

O temor de uma nova Erupção do Milênio, com força 100 vezes superior à do vulcão islandês Eyjafjallajökull – que em 2010 afetou o espaço aéreo europeu causando prejuízo de 5 bilhões de euros – fez com que, pela primeira vez na história, a Coreia do Norte permitisse que uma equipe de cientistas ocidentais cruzasse suas fronteiras. Os alarmes – que permitiram essa exceção dentro do fechado regime ditatorial daquele país – soaram após vários sinais de atividade que o imprevisível vulcão demonstrou entre os anos de 2002 e 2005.

Foto retirada do Pinterest

Lago do Céu, Montanha Changbai

Atualmente, o único ponto em solo norte-coreano que é livre para qualquer pessoa pisar é o Lago do Céu (Lago Chonji em coreano), na cratera da Montanha Changbai, que com seus 14 quilômetros de circunferência e temperaturas que atingem 30 graus abaixo de zero atrai turistas do mundo inteiro. Apenas uma pedra indica a separação entra China e Coreia do Norte, mas não existe nenhum tipo de vigilância militar na região.

No lado chinês do parque, os turistas enfrentam longas filas para conseguir assento em um dos carros que, através de uma estreita estrada, os levam ao topo da montanha – cujo nome em Chinês significa “sempre branca”. O nome coreano, Paektu, significa “cabeça branca” e, segundo a propaganda do governo, é o local de nascimento de Kim Il-Sung, fundador da ideologia Juche (“autosuficiência”) – versão local do comunismo que deu origem ao regime autoritário. Para a cultura coreana e Manchu, da China, o vulcão tem um significado espiritual importante, já que é considerado local de origem de seus povos.

Fontes: el pais.com; blastingnews.com; agênca EFE; Wikipedia; Pinterest

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Sopa de Dragão

Picante sopa de legumes chinesa com almôndegas de carne suína carregada no gengibre

Picante sopa de legumes chinesa com almôndegas de carne suína carregada no gengibre

Ingredientes: pernil de porco, gengibre, cebolinha, shoyu, óleo de gergelim, caldo de frango, anis-estrelado, alho, acelga e coentro.

Saiba mais…

Já falamos aqui o quanto a culinária chinesa é variada e baseada em conceitos milenares. Nesse rol de diferentes estilos e receitas (estima-se que existam mais de 5 mil prato típicos), as sopas ocupam uma importante posição no cardápio e na história. Há, inclusive, um provérbio que diz: “uma refeição perfeita pode não incluir pratos de carne, mas a sopa não deve faltar”. As sopas fazem parte do dia a dia do povo desde o período da dinastia Song, que governou a China de meados de 960 a 1279. Antes disso, entre os séculos 6 e 10, diferentes tipos de sopa surgiram na culinária imperial das dinastias Sui e Tang.

Se a importância da presença da sopa na mesa é consenso entre os chineses, a hora de tomá-la varia conforme a região desse país continental. No sul, é hábito iniciar a refeição por ela para aumentar o apetite. No norte, costuma-se encerrar a refeição com uma sopa para ajudar na digestão. Já em um banquete tradicional, a sopa é o segundo prato, sucedendo a mesa de aperitivos e antecedendo o prato principal – essa ordem ajudaria a limpar o paladar.

Há preferências também quanto aos tipos de sopa, que costumam ser divididos conforme os ingredientes – caldo de carne, de peixe, de ovo e de legumes; os sabores – salgada, agripicante e doce; e a consistência – caldos ralos e sopas espessas. Os habitantes da região sul preferem caldos mais ralos e sopas de sabor leve. Já os moradores do norte têm preferência por sabores mais salgados. Na província de Guangdong, no sul do país, é comum a adição de ervas medicinais.

ginger-1714196_1920A relação entre culinária e medicina na China, aliás, é intrínseca. Diz-se que não se deve recorrer a remédios sem antes buscar a cura através de uma dieta. Por isso a escolha e combinação de ingredientes, assim como a forma de preparo, é muito importante. O gengibre, por exemplo, é um condimento muito comum na gastronomia chinesa, especialmente fresco. Para a medicina tradicional chinesa, é um importante elemento para expectoração e tratamento de tosse, gripe, resfriados e catarro; enjoo matinal, náuseas, vômitos, indigestão, flatulência e diarreia; hemorragias; dores e espasmos; além de melhorar a circulação sanguínea. É classificado como picante e quente, com propriedades de aquecer e libertar o exterior.

A Sopa de Dragão, baseada em uma receita do chef John Gregory-Smith, tem como uma de suas características marcantes o sabor do gengibre, presente tanto no caldo quanto nas almôndegas de carne de porco. Também muito comuns na gastronomia e medicina chinesa, anis-estrelado e coentro conferem aroma e sabor ao prato, além de suas propriedades: o primeiro é expectorante e digestivo, e combate gases, cólicas intestinais e diarreias; o segundo é indicado para dor de estômago, náuseas, hérnia, disenteria, hemorroidas, falta de apetite, dispepsia, náuseas e flatulência, e como tônico e afrodisíaco. Há ainda o alho, que ajuda a eliminar o frio, neutralizar toxinas e dissolver estagnações. Com tantos benefícios, a Sopa de Dragão é uma opção leve, nutritiva e funcional para alimentar o corpo e a alma nos dias frios.

Fontes: CRI online; Portal São Francisco; Revista Macau; Escola de Medicina Tradicional Chinesa; Cuesta Sabores; Dicas de Saúde; Acupunturista.net; Epoch Times; Wikipedia

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Shurba

Shurba

Receita tradicional do Marrocos com leves bolinhas de codorna e claras em neve em caldo aromático com legumes e macarrão bifum (sem glúten)

Ingredientes – Bolinhos: peito de codorna e clara de ovo. Sopa: cebola, alho-poró, cenoura, aipo, salsinha, coentro, louro, tomilho, alho, urucum, sal, pimenta do reino e bifum (macarrão de arroz).

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A gastronomia de Marrocos (leia mais aqui) tem uma rica variedade de sopas, das mais substanciosas – caso da Harira, tradicional na época do Ramadã – às mais leves, como a simples Tadaffi (caldo de sêmola) e a requintada Shurba de pombo e legumes. Esta última, considerada um prato de luxo, foi a escolhida pelo Ora Bolas Food Lab como exemplo do refinamento da culinária marroquina.

A carne de pombo foi substituída por carne de codorna para moldar delicadas almôndegas. Das carcaças, é preparado um saboroso e perfumado caldo, ao qual também são acrescentados legumes como cenoura, alho-poró e aipo, e massa de fios finos. Tradicionalmente é utilizada a aletria (cabelo-de-anjo), mas o Ora Bolas Food Lab optou pelo bifum, massa finíssima feita de farinha de arroz, que não contém glúten, para finalizar a Shurba.

Fontes: Medina, Ignacio. Cozinha país a país – Marrocos. Editora Moderna; Wikipedia; Marrocos.com

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