Casbá

Trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau

Trufas de tâmara, amêndoas e cacau com água de flor de laranjeira, raspas de laranja e canela, cobertas de cacau

Casbás são pequenas cidades muradas encontradas por todo o norte da África. Suas altas muralhas protegiam a população berbere de invasões e ataques, das temidas tempestades de areia e do frio intenso das noites do Saara, quando a temperatura pode cair abaixo de zero. Geralmente com plantas quadradas e torres nos cantos, eram erguidas em adobe (tijolos de terra crua e palha), o que ajudava a garantir conforto térmico no interior das casas. No passado, muitas delas faziam parte da rota das caravanas que cruzavam o deserto. Hoje, algumas são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco, como a Casbá de Argel, na Argélia, construída no século 4; a de Aït-Ben-Haddou, no Marrocos, do século 8; e a de Sousse, na Tunísia, do século 9 – países da região conhecida como Magrebe.

Casbá

Casbá de Aït Benhaddou, no Marrocos. Foto: China_Crisis, wikicommons

Uma das mercadorias levadas pelas caravanas da época eram as tâmaras, frutos de uma palmeira típica dos oásis do Saara. Até hoje é uma das principais fontes de sustento de muitas famílias, que se dedicam inteiras à atividade. Na época da colheita, crianças e mulheres ajudam os homens a separar as melhores tâmaras, que depois são levadas aos mercados no lombo de animais. Além do valor como mercadoria, a tâmara é um importante item de alimentação desse povo, pois é muito energética – especialmente a seca – e é rica em magnésio, ferro e potássio (três vezes mais do que a banana).

Tâmara, Casbá

Uma tamareira carregada. Foto: Seweryn Olkowicz, wikicommons

As tâmaras são o ingrediente principal do recheio de um doce popular nos países do Magrebe, o makrout, um bolinho feito com semolina. Na Argélia, judeus costumam prepará-lo para celebrar o Rosh Hashana (ano novo); em Marrocos, é uma receita tradicional do Ramadã, ideal para repor a energia perdida durante o jejum muçulmano. Geralmente ela é misturada a amêndoas, mel e água de flor de laranjeira.

No Ora Bolas Food Lab, deixamos a massa de lado e utilizamos o recheio como ideia para uma trufa sem açúcar, sem leite e sem glúten. Retiramos o mel e adicionamos cacau e condimentos a esta mistura, que depois de moldada em bolinhas é coberta de mais cacau. Todos esses ingredientes ajudam a combater o estresse e a ansiedade, o nervosismo e a agitação. Este é o Casbá, nosso primeiro doce funcional!

Fontes: Wikipedia; Unesco; Globo Repórter; Marrocos.com;  www.lesjoyauxdesherazade.com; moroccotravelblog.com

Presente vegetariano

EspinafreVocê já leu sobre as condimentadas comidas vegetarianas da Índia aqui. Vamos agora conhecer um pouco mais o ingrediente base do Verde Índia, o espinafre.

A Spinacia oleracea é uma erva rasteira originária do centro e sudoeste da Ásia, pertencente à família das amarantáceas. Esse vegetal de sabor alcalino é rico em nutrientes, como proteínas, sais minerais (ferro e cálcio), vitaminas (A, K e complexo B), fitonutrientes (flavonóides) e fibras, além de outros componentes benéficos à saúde.

Entre os benefícios, podemos citar suas propriedades anticancerígenas e antioxidantes, que combatem o aparecimento de doenças como osteoporose, aterosclerose, hipertensão e catarata. Também possui propriedades anti-inflamatórias, devido à presença de neoxantina e violaxantina.

Devido à grande quantidade de vitamina A, o consumo de espinafre proporciona uma pele mais saudável, favorecendo a retenção adequada de umidade na epiderme. As fibras também ajudam na beleza da pele, pois facilitam o processo de digestão, previnem a constipação e controlam o nível de açúcar no sangue. Já a vitamina K é fundamental para um sistema nervoso saudável e o bom funcionamento do cérebro.

O espinafre também é uma das principais fontes de proteína não proveniente de animais. É, portanto, um ingrediente essencial nas dietas veganas e também nos bolinhos vegetarianos do Ora Bolas Food Lab, como o Floresta de Duende, o Vó Censa e o Verde Índia (que sem o molho é vegano). No Verde Índia ele é acompanhado de outra importante fonte vegetal de proteína, a batata.

Mas, você deve estar se perguntando: e o ferro? Sim, o espinafre possui quantidades significativas deste mineral e também de cálcio, mas ao mesmo tempo apresenta alto índice de ácido oxálico, substância que inibe a sua absorção. O cozimento elimina parte dessa substância, reduzindo o seu efeito indesejado.

Fontes: Wikipedia; http://www.cantinhovegetariano.com.br; http://www.remedio-caseiro.com

Verde Índia

Verde Índia

Bolinhas de espinafre, gengibre, pimenta verde e especiarias; acompanha molho de iogurte

Ingredientes: bolinho: espinafre; batata rosa; cebola; gengibre; pimenta verde; garam masala; pimenta do reino; sal; farinha de trigo; farinha de rosca. Molho: iogurte; pepino; limão siciliano; hortelã; cominho; sal; pimenta do reino

** Bolinho é vegano, molho não

Saiba mais…

Segundo país mais populoso, perdendo apenas para a China, a Índia tem também a maior taxa de vegetarianismo do mundo – uma pesquisa realizada em 2006 constatou que 31% dos indianos eram lactovegetarianos (que consomem produtos lácteos e ovos) e outros 9% eram ovo-vegetarianos (consomem apenas ovos entre os produtos de origem animal). Para suprir a necessidade de proteínas, existe uma grande variedade de pratos com vegetais e frutas ricos nessa substância, entre eles o espinafre.

Mas o carnívoro que achar que comida vegetariana é sinônimo de comida sem graça está muito enganado – sem graça é o último adjetivo para qualquer tipo de comida indiana. O uso das especiarias (cujo significado espiritual e medicinal já foi tratado aqui) dá ao nosso bolinho Verde Índia, inspirado nessa culinária milenar, uma gama de sabores e sensações que não deixa ninguém indiferente. A picância das pimentas e do gengibre, associada aos múltiplos e instigantes sabores do Garam Masala, atinge todas as nossas papilas gustativas, prolongando e variando o paladar ao longo do tempo. O molho de iogurte, chamado de raita, funciona como um neutralizador da pimenta, e acrescenta ainda outros sabores, como o do cominho, que também ajuda a amenizar a picância, e a hortelã, que torna o bolinho, além de tudo, refrescante.

Não gosta de pimenta?

Então pode exagerar no molho! Não é à toa que muitos pratos indianos têm laticínios como acompanhamento – entre eles a coalhada e o iogurte. Com uma culinária tradicionalmente picante, esse tipo de acompanhamento funciona como um catalisador para aqueles mais sensíveis a esse tipo de especiaria.

O componente das pimentas que promove o ardor se chama capsaicina. Quanto mais dessa substância, mais ardida será a pimenta – o pimentão, por exemplo, se destaca das suas primas pimentas por não conter essa substância. Já o iogurte ou coalhada contêm uma substância chamada caseína, cujas moléculas possuem a característica de neutralizar as moléculas de capsaicina. É por isso que de nada adianta tentar conter o ardor na boca tomando água ou outras bebidas à base de água – elas não têm caseína. O melhor, nesse caso, é tomar uma bebida de iogurte (na Índia, um dahi ou um lassi) ou simplesmente um copo de leite.

Fontes: portalsaofrancisco.com.br; iguariasindianas.wordpress.com; tudoindia.com.br; wikipedia

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Goa Noir

Trufas de chocolate belga 70% cacau com cardamomo e café cobertas com pistache crocante.

Ingredientes: chocolate Callebault 70% cacau; creme de leite fresco; pó de café; cardamomo; pistache

Saiba mais..

Uma trufa* de chocolate bem amargo, marcante, combinada com especiarias e amêndoas que remetem à culinária cheia de sabores de Goa, na região da Índia colonizada pelos portugueses que retrata em seus pratos essa interessante mistura cultural. Essa é Goa Noir, nossa bolinha de chocolate com 70% de puro cacau, cardamomo e café, cobertas com pistache moído crocante – inspirada na combinação formulada pelo chef John Gregory-Smith durante sua viagem àquele país. A leve refrescância do cardamomo e do pistache se contrapõem, e ao mesmo tempo realçam, o amargo picante do cacau, acentuado pela nota de café.

Um certo líquido picante

A origem do nome chocolate remonta justamente à característica picante do seu principal ingrediente, o cacau. Diz-se que Cristóvão Colombo foi um grande admirador de uma bebida produzida a partir da semente do cacau – fruto do cacaueiro, planta originária da bacia amazônica – batizada de Kabkajatl, uma mistura de vocábulos de origem maia e asteca que formava a expressão “suco amargo picante”. Como os espanhóis colonizadores tinham dificuldade de pronunciar a palavra, colocaram um “hu” no meio, formando a palavra Kabkajuatl, que com o tempo se transformou em cacauatl.

A bebida acabou sendo modificada pelos colonizadores para amenizar o gosto amargo e picante, e passou a ser tomada quente com leite e açúcar – ganhando o nome de chacauhaa (bebida quente). A confusão entre os nomes das duas bebidas, a picante e a quente, é que teria dado origem à palavra chocolate.

O cacau

Fruto e flores de cacau. Foto de H. Zell/Wikicommons

Fruto e flores de cacau. Foto de H. Zell/Wikicommons

Rico em flavonoides, antioxidantes e ferro, além de ser responsável por aumentar o nível de serotonina no sangue, o consumo de cacau traz inúmeros benefícios à saúde. Combate a depressão e a ansiedade, previne contra o colesterol e a anemia, reduz o risco de diabetes e derrames, reduz a pressão, regula o intestino e ainda ajuda a controlar inflamações.

Cerca de 95% do cacau do Brasil é produzido na Bahia, tradição inciada há mais de 200 anos. O cultivo do tipo cabruca, integrado à Mata Atlântica, é o responsável pela conservação de uma vasta área de mata nativa na região – onde um levantamento feito em 2007 encontrou inúmeras árvores ameaçadas de extinção, entre elas o jequitibá-rosa, o pau-brasil e a gameleira.

*Conheça mais curiosidades sobre a trufa.

Fontes: Gregory-Smith, John. O livro das especiarias: receitas rápidas. – 1. ed. – São Paulo: Publifolha, 1013; Wikipedia; tuasaude.com.

 

La Cave

la cave

Uma explosão de sabores: tortinhas de pera, gorgonzola, nozes e cebola caramelizada

Ingredientes: queijo tipo gorgonzola, pera, nozes chilenas, cebola roxa, pimenta do reino, tomilho, manteiga, açúcar mascavo, farinha de trigo e sal

Saiba mais…

Uma mistura à primeira vista inusitada mas que, de tão boa, já virou um clássico: pera com gorgonzola. Molhos ou recheios para massas, tortas, quiches, risotos, sopas e saladas já usaram essa dupla de sabores simultaneamente opostos e complementares. O nosso La Cave acrescenta a essa mistura cebola caramelizada e nozes, completando essa instigante experiência para o paladar.

Como todo queijo azul, o gorgonzola é picante mas também um pouco frutado, aproximando-se da pera – que por sua vez contribui para essa mistura, com muita elegância, com seu sabor adocicado e suculento. As nozes, quando torradas, se aproximam muito em sabor dos queijos azuis, e por isso é também muito utilizada na harmonização com o gorgonzola. Para completar, a cebola caramelizada intensifica o sabor adocicado da pera, fechando com maestria esse contraste entre ela e o sabor marcante do queijo – por sua vez já intensificado pela adição das nozes.

Nosso protagonista, o Gorgonzola

Considerado um dos mais requintados queijos da família azul, o gorgonzola é o terceiro queijo mais consumido da Itália, sua terra natal, perdendo apenas para o parmesão e o grana padano. Acredita-se que o gorgonzola seja o queijo mais antigo do mundo – a primeira referência encontrada data do século X na pequena cidade de Gorgonzola, localizada a 20 quilômetros de Milão, no norte do país. A abundância de leite e a variedades de fungos das cavernas da região foram as características fundamentais para a criação desse queijo.

Segundo lendas locais, sua criação aconteceu por acidente. Conta-se que, a princípio, este queijo era conhecido como Strachino quando um produtor descuidado acabou misturando leites de diferentes ordenhas, um da noite e outro da manhã. Quando as coalhadas de diferentes temperaturas se uniram, formaram bolhas, e dessas bolhas surgiram os fungos azuis Penicilium Roqueforti – responsáveis pela tonalidade azul de todos dessa família de queijos.

Fontes:
Segnite, Niki. Dicionário de Sabores: combinações, receitas e ideias para uma cozinha criativa. Google Books; ajufest.com.br; produtosfinos.com.br

Da fava ao extrato, a verdadeira baunilha

vanilla_6beansApesar de muito conhecida pelo nome, pouca gente conhece e sabe de onde vem a baunilha “in natura”, ou a fava de baunilha. Segunda especiaria mais cara do mundo, perdendo somente para o açafrão, a fava de baunilha é extraída de uma orquídea nativa do México que cresce em regiões tropicais.

Povos indígenas mexicanos começaram o cultivo – para os astecas, os grãos de cacau e as vagens de baunilha eram usados como moedas, tamanho o valor que se dava a essas especiarias. No fim do século XIX, os franceses começaram a plantar baunilha nas ilhas de Madagascar e Reunião, na costa africana. Juntas, elas produzem hoje três quartos de toda a baunilha do mundo – o México, agora, é um pequeno produtor. Índia, Indonésia e China também são produtores de médio porte. No Brasil, há um cultivo em pequena escala na região do cerrado.

Em 2000, um furacão acabou com 15% das plantações de baunilha de Madagascar, e os preços subiram de US$ 40 o quilo para US$ 500. Depois disso, muitos fabricantes substituíram o uso da baunilha natural pela baunilha sintética, que usa como base apenas um dos 171 compostos aromatizantes da baunilha: a vanilina. Apesar de o preço ter caído um pouco, hoje em dia estima-se que 97% da baunilha utilizada no mundo seja artificial.

Note que existe uma diferença entre os produtos vendidos no Brasil como essência e extrato de baunilha: o último tem um sabor bem mais marcado e é retirado da fava (apesar de alguns denominados extrato serem também artificiais). A essência, em geral, é totalmente sintética. Por isso é sempre bom dar uma olhada na descrição do produto para saber o que estamos comprando – o sabor da baunilha natural é incomparável.

Na culinária, a baunilha é muito conhecida pelo uso nos doces, seja através do extrato ou do açúcar de baunilha – uma mistura maturada de açúcar e sementes de baunilha –; mas seu sabor único também funciona muito bem em pratos salgados. Doce ou salgado, ela vai muito bem com pimenta da Jamaica, cardamomo, canela, cravo, gengibre, lavanda, verbena, capim-limão, alcaçuz, menta, noz-moscada, sementes de papoula, sementes de gergelim ou anis-estrelado.

Para além da cozinha

Existe mais de 20.000 espécies de orquídeas, mas a baunilha é a única comestível. Das 150 variedades de baunilhas existentes, duas são mais utilizadas comercialmente: Bourbon e Tahitian. A Bourbon é a baunilha original que os espanhóis encontraram no México. A Tahitian é uma variedade da Bourbon, com um sabor mais doce e frutado. Além dessas, são usadas as baunilhas Indonésia, Mexicana e West Indian – essa última mais utilizada em perfumes. Estima-se que 80 a 85% da produção é destinada à cozinha, o restante para as perfumarias. O famoso perfume Chanel Nº 5, por exemplo, usa a Baunilha Absoluta, a forma mais concentrada de baunilha natural, que custa aproximadamente US$ 6 mil o quilo.

O processo de polinização, colheita e secagem da vagem justifica o preço da baunilha. Em 1841, um escravo da colônia francesa da Ilha de Reunião de apenas 12 anos, Edmond Albius, usou um fino pedaço de bambu para levantar a membrana natural que cobre a orquídea – e dificulta sua polinização – e a fecundou com seu polegar, que estava cheio de pólen. Esse método manual é usado até hoje em produções e ganhou o nome de método Albius.

Depois de polinizada, a baunilha tem um período de 9 meses de maturação. Quando a fava, ainda verde, atinge em torno de 17 a 30 cm, ela é colhida e jogada em água quente para interromper a maturação. Durante 3 ou 4 meses, as favas tomam banhos de sol pela manhã e são embrulhadas em cobertores durante a noite para suarem e secarem. Após esse processo, as baunilhas já atingiram a característica cor escura e perderam três quartos de seu peso inicial. Elas são então cobertas com uma substância feita com glucose e cristais de vanilina para proteger a fava e seu aroma. As maiores (entre 16 e 21 cm) e mais oleosas são as mais valiosas; as que ficam entre 10 e 15 cm são classificadas como uma segunda categoria de qualidade.

Fontes:
Wikipedia, The Spice Bible, http://www.eucomosim.com

Filfil

Filfil

O nosso Falafel, bolinhas refrescantes e levemente apimentadas de grão de bico envoltas em gergelim crocante (não contém lactose). Acompanha molho de iogurte (com lactose) com limão siciliano e tahine.

Ingredientes: grão de bico, farinha de trigo, limão siciliano, cebola roxa, pimenta verde, hortelã, alho, cominho, pimenta do reino, sal, semente de gergelim, iogurte, sal e tahine (pasta de gergelim).

** Bolinho é vegano, molho não

Saiba mais…

Filfil não é o assobio, mas bem que poderia ser – os inúmeros benefícios dos ingredientes desse bolinho, além de seu destacado sabor, merecem todos os tipos de elogios. Filfil, a palavra, é a raiz do árabe falafel, que significa “algo apimentado” – resumindo bem essa mistura do sabor suave do grão-de-bico e refrescante da hortelã com as especiarias picantes, que percorre nossa boca atingindo todas as papilas gustativas.

Falafel, o prato, é parte da culinária típica de vários países do Oriente Médio, sendo que cada um tem uma receita original. Há inclusive uma forte disputa pela origem dessa iguaria, em especial entre Líbano, Egito, Síria e Israel. A forma que o ocidente come o Falafel, em forma de sanduíche (com pão pita, molho com tahine e salada), foi criada em Israel e é a principal comida de rua deste país – o que acabou provocando uma confusão em relação à origem do bolinho, em especial com a Associação das Indústrias Libanesas, que em 2009 convocou os outros países do Oriente Médio a tomarem medidas a esse respeito.

Disputas à parte, é incontestável o sabor e os inúmeros benefícios desse bolinho para a saúde. De forma geral o bolinho deve ser firme, leve, crocante, sequinho e jamais massudo. Apenas no Egito o Falafel é feito com feijão – no resto do mundo, assim como no Ora Bolas, a base é o grão-de-bico.

O grão-de-bico é uma ótima fonte de proteína vegetal, além de ser rico em minerais – como cálcio, ferro, fósforo, potássio, cobre, entre outros –, triptofano, vitaminas (A, B e C) e fibras. A grande quantidade de fibras solúveis e não-solúveis retira a gordura excedente na alimentação, limpa o trato digestivo e ajuda a reduzir o colesterol. Além disso, sua digestão, que é demorada, impede a subida abrupta do açúcar no sangue após a refeição, sendo aconselhável para pessoas que sofrem de diabetes, resistência à insulina ou hipoglicemia.

Além do grão-de-bico, ervas e especiarias, nosso Filfil ainda é coberto por gergelim, outra excelente fonte de proteínas, cálcio, gorduras monoinsaturadas e fibras. Essa mistura é ideal para quem procura uma boa forma física e uma dieta equilibrada.

Fontes:

http://www.petitgastro.com.br
http://www.greenme.com.br
http://www.anutricionista.com
http://www.eucomosim.com
http://www.terra.com.br

Ghriba

Ghriba

Suave docinho marroquino com nozes e especiarias, crocante por fora e cremoso por dentro.

Ingredientes: nozes, açúcar, claras de ovo, canela, baunilha em vagem, manteiga clarificada (ghee).

Saiba mais…

Ghriba é um docinho muito tradicional no Marrocos, onde a receita é passada de geração em geração. Em árabe, ghriba significa “estranho”, mas no árabe marroquino o nome ganha um outro significado: “o misterioso”.

E é mesmo misterioso o sabor desse doce – principalmente a versão escolhida por nós, o ghriba de nozes. No lugar do tradicional biscoito temos aqui uma espécie de trufa de nozes com especiarias, rugosa e crocante por fora mas macia e úmida por dentro.

São muitas as receitas, mas a mais popular no Marrocos é o Ghriba de amêndoas, mais parecida com um biscoito. O tipo mais apreciado pelos marroquinos é o Ghriba Bahla, um biscoito mais crocante e craquelado, sempre acompanhado do famoso chá de menta. O motivo da escolha pela receita com nozes é a concordância com a proposta do Ora Bolas, de doces que finalizem bem uma boa noite de conversa, boa comida e bebida – carne de porco e bebida alcoólica são considerados “haraam”, ou seja, proibidas pela religião muçulmana.

O Ghriba Ora Bolas também leva em sua composição açúcar de baunilha. Saiba um pouco mais sobre esse ingrediente.

Benefícios do consumo de nozes

Ricas em fibras de alta qualidade, antioxidantes, vitaminas e minerais essenciais, as nozes possuem propriedades que ajudam nas defesas do corpo – formação de glóbulos vermelhos, cicatrização, fortalecimento dos ossos e dos dentes –, combatem problemas cardíacos e infecções e atuam na prevenção do câncer. Além disso, melhoram o trato intestinal, amenizam problemas decorrentes da síndrome metabólica – entre eles o colesterol alto –, ajudam a manter estáveis as taxas de glicose no sangue e, em pequena quantidade, auxiliam na manutenção de um peso saudável se consumidas diariamente.

Ghriba, o templo

Uma curiosidade: Ghriba também é o nome de um templo localizado em uma das últimas comunidades judaicas que sobrevivem no mundo árabe, no centro da ilha de Sjerba, ao sul da Tunísia. Durante a festa judaica do Lag Baômer, que ocorre entre os meses de abril e maio do calendário gregoriano, a Sinagoga de la Ghriba recebe vários milhares de peregrinos – já que, segundo a tradição, o local conteria restos do Templo de Jerusalém.

Em 1985 e em 2002 a sinagoga foi palco de atos de violência. Na primeira ocasião um policial tunisiano abriu fogo dentro do templo matando cinco pessoas, entre elas quatro judeus. Já em 2002 um atentado suicida atribuído ao grupo terrorista al-Qaeda deixou 21 mortos e 30 feridos após um caminhão-tanque, carregado de explosivos e conduzido por um jovem tunisiano de 25 anos, entrar no local.

Fontes:
Moroccan Cuisine Marocaine
Wikipedia
http://www.mundoboaforma.com.br

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Sopa de Dragão

Picante sopa de legumes chinesa com almôndegas de carne suína carregada no gengibre

Picante sopa de legumes chinesa com almôndegas de carne suína carregada no gengibre

Ingredientes: pernil de porco, gengibre, cebolinha, shoyu, óleo de gergelim, caldo de frango, anis-estrelado, alho, acelga e coentro.

Saiba mais…

Já falamos aqui o quanto a culinária chinesa é variada e baseada em conceitos milenares. Nesse rol de diferentes estilos e receitas (estima-se que existam mais de 5 mil prato típicos), as sopas ocupam uma importante posição no cardápio e na história. Há, inclusive, um provérbio que diz: “uma refeição perfeita pode não incluir pratos de carne, mas a sopa não deve faltar”. As sopas fazem parte do dia a dia do povo desde o período da dinastia Song, que governou a China de meados de 960 a 1279. Antes disso, entre os séculos 6 e 10, diferentes tipos de sopa surgiram na culinária imperial das dinastias Sui e Tang.

Se a importância da presença da sopa na mesa é consenso entre os chineses, a hora de tomá-la varia conforme a região desse país continental. No sul, é hábito iniciar a refeição por ela para aumentar o apetite. No norte, costuma-se encerrar a refeição com uma sopa para ajudar na digestão. Já em um banquete tradicional, a sopa é o segundo prato, sucedendo a mesa de aperitivos e antecedendo o prato principal – essa ordem ajudaria a limpar o paladar.

Há preferências também quanto aos tipos de sopa, que costumam ser divididos conforme os ingredientes – caldo de carne, de peixe, de ovo e de legumes; os sabores – salgada, agripicante e doce; e a consistência – caldos ralos e sopas espessas. Os habitantes da região sul preferem caldos mais ralos e sopas de sabor leve. Já os moradores do norte têm preferência por sabores mais salgados. Na província de Guangdong, no sul do país, é comum a adição de ervas medicinais.

ginger-1714196_1920A relação entre culinária e medicina na China, aliás, é intrínseca. Diz-se que não se deve recorrer a remédios sem antes buscar a cura através de uma dieta. Por isso a escolha e combinação de ingredientes, assim como a forma de preparo, é muito importante. O gengibre, por exemplo, é um condimento muito comum na gastronomia chinesa, especialmente fresco. Para a medicina tradicional chinesa, é um importante elemento para expectoração e tratamento de tosse, gripe, resfriados e catarro; enjoo matinal, náuseas, vômitos, indigestão, flatulência e diarreia; hemorragias; dores e espasmos; além de melhorar a circulação sanguínea. É classificado como picante e quente, com propriedades de aquecer e libertar o exterior.

A Sopa de Dragão, baseada em uma receita do chef John Gregory-Smith, tem como uma de suas características marcantes o sabor do gengibre, presente tanto no caldo quanto nas almôndegas de carne de porco. Também muito comuns na gastronomia e medicina chinesa, anis-estrelado e coentro conferem aroma e sabor ao prato, além de suas propriedades: o primeiro é expectorante e digestivo, e combate gases, cólicas intestinais e diarreias; o segundo é indicado para dor de estômago, náuseas, hérnia, disenteria, hemorroidas, falta de apetite, dispepsia, náuseas e flatulência, e como tônico e afrodisíaco. Há ainda o alho, que ajuda a eliminar o frio, neutralizar toxinas e dissolver estagnações. Com tantos benefícios, a Sopa de Dragão é uma opção leve, nutritiva e funcional para alimentar o corpo e a alma nos dias frios.

Fontes: CRI online; Portal São Francisco; Revista Macau; Escola de Medicina Tradicional Chinesa; Cuesta Sabores; Dicas de Saúde; Acupunturista.net; Epoch Times; Wikipedia

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Bola 8

Bola 8

Deliciosas trufas de chocolate meio amargo com consistência ao mesmo tempo cremosa e firme, que desmancham na boca. Envoltas em cacau em pó. Também disponíveis nas variações laranja e pimenta.

Ingredientes: chocolate meio amargo, extrato de baunilha, creme de leite e cacau em pó. Opcionais: laranja cristalizada e pimenta caiena.

Veja mais…

Defina o que é uma trufa em poucas palavras: bolinhas de chocolate bem forte, com bastante cacau, firmes por fora mas cremosas por dentro, podendo ou não serem saborizadas com frutas, bebidas, especiarias ou condimentos. Sim, é uma boa definição, principalmente para o nosso bolinho, o Bola 8. Mas o nome, trufa, define também uma outra iguaria mais “selvagem”, e ainda mais poderosa: a trufa negra, um tipo de cogumelo subterrâneo que é um dos alimentos mais caros do planeta.

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As trufas negras. Foto retirada do Pinterest

Trufas são as espécies mais raras e nobres de todos os cogumelos. Elas crescem entre 20 e 40 centímetros debaixo da terra, nas raízes de grandes carvalhos e castanheiras. Sua colheita é feita por caçadores que usam cães adestrados para farejá-las. O local é escavado, parte da trufa é deixada – para que possa se reproduzir novamente – e partir daí começa uma verdadeira corrida para enviá-las em menos de 36 horas até todos os seus consumidores ao redor do planeta.

Existem três tipos de trufas: a negra, a branca e a de verão, menos rara. Por ainda não se ter encontrado uma forma de cultivá-la – e pelo seu inigualável aroma – a trufa branca é a mais cara de todas, e o segundo alimento mais caro do mundo, perdendo somente para o caviar. Por duas ocasiões seu valor ultrapassou 100 mil euros em leilões realizados na Itália, mas a mais célebre trufa branca, de Alba, na Itália, custa até 15 mil dólares o quilo.

Ao contrário da branca, a trufa negra já pode ser cultivada: após anos de trabalho, pesquisadores criaram o carvalho trufeiro, que leva até oito anos para produzir os fungos. Encontrados naturalmente entre França, Espanha e Itália, os “diamantes negros”, como já foram chamados, vêm sendo colhidos também no Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, Nova Zelândia e Chile, entre outros – e vendidos por valores entre 700 e 2 mil dólares. Escura, com aspecto mais rugoso e odor menos marcante do que a branca, a trufa negra costuma ser utilizada ralada diretamente nos alimentos ou para saborizar azeites especiais.

Mas e o chocolate?

Por causa da semelhança física com a trufa negra – e, acredito, por se tratarem também de iguarias especiais –, essas maravilhosas bolinhas de chocolate descritas no início do texto ganharam o nome de trufas. No Ora Bolas, optamos por uma outra analogia: a Bola 8, preta, que define a sinuca, fecha o jogo – e não precisa de mais nada.

Fontes: Wikipedia; megacurioso.com; terra.com.br;

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