Rote Grütze

Rote Grütze

Doce alemão precursor do nosso sagu, com frutas vermelhas e vinho tinto. Acompanha creme de baunilha

Ingredientes: sagu, morango, amora, mirtilo, framboesa,  vinho tinto, açúcar, canela e limão. Creme:  baunilha em fava, leite, ovo e açúcar.

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Ainda hoje, na casa de meus pais, em Lages (SC), uma das sobremesas mais tradicionais de fim de semana é o sagu. Minha mãe prepara essas minúsculas bolinhas em calda de vinho tinto, sempre acompanhadas de um creme e suspiro, assim como fazia minha nonna, que por sua vez aprendeu com sua mãe, filha de imigrantes da Itália que se instalaram na serra gaúcha no final do século 19. E assim ocorre em centenas de famílias, com a receita passando por gerações, a ponto da sobremesa se tornar emblemática para as colônias italianas do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina.

Assim, cresci com a certeza de que, no que diz respeito a doce, nada mais italiano do que o sagu de vinho. Ledo engano, só desfeito há menos de dois anos, ao fazer uma reportagem sobre a culinária típica das colônias alemãs e italianas do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A descoberta se deu durante uma entrevista com Rene Jensen, proprietário do restaurante Abendbrothaus, de Blumenau, que abre somente aos domingos e possui em seu cardápio apenas um item: marreco recheado e seus tradicionais acompanhamentos – repolho roxo, chucrute, purê de maçã, purê de batatas, aipim frito, salada de batatas, arroz e língua ensopada. Tudo feito pela sua esposa, Josefa Jensen, que aos 9 anos aprendeu a receita com a sua oma, e que há 30 anos delicia seus clientes com este banquete. Depois dele discorrer sobre esta farta refeição, perguntei qual era a sobremesa, se também era típica, e a resposta foi: sim, é sagu. Na hora questionei Rene se essa não era uma receita italiana, e ele me disse não ter certeza, mas que a Josefa também tinha aprendido a fazer o doce com a avó.

rote grutzeNa verdade, a sobremesa típica das colônias italianas tem origem na guloseima alemã rote grütze – que também leva vinho tinto em sua preparação – e na adaptação de sua receita aos ingredientes locais, já utilizados pelos nativos da terra. Na falta de fécula de batata (utilizada para engrossar a calda), os descendentes de alemães Hans e Fritz Lorenz, netos do cientista alemão Fritz Müller, passaram a produzir no começo do século passado a fécula de mandioca que, processada, ganha o nome de sagu (referência à fécula extraída de plantas da Ásia conhecidas como saguzeiros). A interação comercial entre as colônias era cada vez mais intensa, e logo o doce caiu no gosto das famílias de imigrantes italianos, que excluíram da receita original as frutas vermelhas por não encontrá-las em sua nova terra. Um belo – e saboroso – exemplo de como a miscigenação cultural pode enriquecer nossos paladares.

PS: O Rote Grutze é tradicionalmente acompanhado pelo creme de baunilha (saiba mais sobre a fava de baunilha aqui)

Por Alexsandro Vanin, co-criador do Ora Bolas Food Lab

Fonte: Peccini, Rosana. Sagu de Vinho Tinto. http://www.historiadaalimentacao.ufpr.br; Wikipedia

Palla Gialla

Palla Gialla

Bolinho de risoto de açafrão recheado com uma bola inteira de mussarela de búfala

Ingredientes: arroz carnaroli; pistilos de açafrão; mussarela de búfala; queijo parmesão; vinho branco; caldo caseiro de legumes; manteiga; azeite de oliva; cebola; sal; pimenta do reino; salsinha; noz moscada; farinha de trigo; farinha panko.

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Na Itália, principalmente na Sicília, uma tradicional e popular comida de rua é o arancino (arancini, no plural), uma bolinha de risoto recheada e empanada. O nome deve-se à sua semelhança com a laranja (arancia, em italiano), tanto pela cor quanto pela forma, só que menor do que a fruta.

Arancini em Palermo

Os arancini são uma das principais comidas de rua de Palermo, na Sicíclia

A origem dos arancini remonta ao século 10, época da ocupação sarracena na ilha. Os árabes costumavam servir em seus banquetes uma bandeja de arroz aromatizado com açafrão guarnecida com legumes e carnes – foram eles, inclusive, que introduziram o açafrão, a pimenta, a noz-moscada e a laranja na região, entre outras especiarias e vegetais.

Mas foi cerca de dois séculos depois que eles ganharam a forma e a crocância características. Diz-se que o prato agradava tanto Frederico II, rei da Sicília (entre tantos outros títulos), que ele desejava levar a iguaria para suas viagens e caçadas. A solução encontrada foi empanar e fritar pequenas bolas dessa mistura, o que ajudou a conservar o arroz e seus temperos por mais tempo, além de facilitar o seu transporte. A portabilidade logo conquistou quem trabalhava no campo, e centenas e centenas de anos depois as ruas de toda a Itália.

Os arancini são, portanto, em sua essência, predecessores do Ora Bolas Food Lab: práticos e saborosos, feitos para serem comidos com as mãos. Para introduzi-los em nosso cardápio, escolhemos uma refinada versão com risotto alla milanese (com açafrão, como é típico em Palermo, cidade que disputa com a Catânia a origem da receita siciliana), o que lhe confere uma coloração amarela. Para o recheio, uma deliciosa mussarela de búfala, que escorre pelas bordas após a primeira mordida. Andiamo mangiare la Palla Gialla e buon appetito miei amici!

Convento Açoriano

Convento Açoriano

Uma versão das queijadas de Vila Franca do Campo, doce conventual típico da Ilha de São Miguel, nos Açores

Ingredientes: farinha; ovos; banha; manteiga; açúcar; sal; leite; coalho; açúcar de confeiteiro

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Como o próprio nome diz, a história da doçaria conventual portuguesa tem origem nos conventos do século XV e é fruto da expansão do comércio de açúcar obtida com o cultivo de cana na Ilha da Madeira e em outras colônias portuguesas. Até então, havia uma tradição de doces produzidos com mel – mas o açúcar, com seus vários pontos de calda, abriu horizontes para as mulheres que muitas vezes acabavam nos conventos por uma imposição social, não por vocação, e tinham na doçaria seu passatempo. Na colônia portuguesa dos Açores, em especial, entre 1533 e 1832 as principais famílias das ilhas de São Miguel, Faial e São Jorge viam na vida religiosa de suas filhas donzelas uma maneira de evitar a dispersão do patrimônio familiar e assegurar ao seu clã um elevado estatuto social.

O uso abundante das gemas de ovos nesses doces tem relação direta com o uso das claras de ovos dentro dos conventos. As claras eram utilizadas para confecção de hóstias, para engomar os hábitos (roupas) das freiras – e também roupas elegantes de homens ricos – e como elemento purificador na produção de vinho branco. Até então, as gemas excedentes eram muitas vezes colocadas no lixo ou servidas como alimento aos animais. Com a chegada do açúcar, elas ganharam um novo destino – bem mais saboroso.

José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

Convento de Santo André, Vila Franca do Campo Foto: José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

O nosso Convento Açoriano tem origem na Vila Franca do Campo, primeira capital da Ilha de São Miguel, nos Açores, após a colonização portuguesa. A hoje famosa Queijada da Vila começou a ser fabricada no Convento de Santo André, erguido no século XVI. Hoje em dia não é mais produzida dentro do convento, mas por duas famílias que guardam sigilo absoluto sobre a receita original – não se sabe se realmente existe algum segredo ou se essa é apenas uma forma de acrescentar charme ao já saboroso doce. Na versão Ora Bolas Food Lab, as queijadas são menores, como petiscos, e têm uma massa bem fininha e crocante (típica dos doces portugueses), recheada com um creme doce – com o açúcar e as gemas – que ganha como contraponto o gostinho azedo da coalhada seca caseira. É mesmo para comer rezando!

Fontes: Wikipedia; Martins, Rui de Souza. As Artes Conventuais nos Açores e o Processo de Criação do Arcano Místico da Ribeira Grande. Universidade dos Açores; arteconventual.com.br; imaginacaoativa.wordpress.com; docesconventuaisdaflor.blogspot.com.br

Goa Noir

Trufas de chocolate belga 70% cacau com cardamomo e café cobertas com pistache crocante.

Ingredientes: chocolate Callebault 70% cacau; creme de leite fresco; pó de café; cardamomo; pistache

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Uma trufa* de chocolate bem amargo, marcante, combinada com especiarias e amêndoas que remetem à culinária cheia de sabores de Goa, na região da Índia colonizada pelos portugueses que retrata em seus pratos essa interessante mistura cultural. Essa é Goa Noir, nossa bolinha de chocolate com 70% de puro cacau, cardamomo e café, cobertas com pistache moído crocante – inspirada na combinação formulada pelo chef John Gregory-Smith durante sua viagem àquele país. A leve refrescância do cardamomo e do pistache se contrapõem, e ao mesmo tempo realçam, o amargo picante do cacau, acentuado pela nota de café.

Um certo líquido picante

A origem do nome chocolate remonta justamente à característica picante do seu principal ingrediente, o cacau. Diz-se que Cristóvão Colombo foi um grande admirador de uma bebida produzida a partir da semente do cacau – fruto do cacaueiro, planta originária da bacia amazônica – batizada de Kabkajatl, uma mistura de vocábulos de origem maia e asteca que formava a expressão “suco amargo picante”. Como os espanhóis colonizadores tinham dificuldade de pronunciar a palavra, colocaram um “hu” no meio, formando a palavra Kabkajuatl, que com o tempo se transformou em cacauatl.

A bebida acabou sendo modificada pelos colonizadores para amenizar o gosto amargo e picante, e passou a ser tomada quente com leite e açúcar – ganhando o nome de chacauhaa (bebida quente). A confusão entre os nomes das duas bebidas, a picante e a quente, é que teria dado origem à palavra chocolate.

O cacau

Fruto e flores de cacau. Foto de H. Zell/Wikicommons

Fruto e flores de cacau. Foto de H. Zell/Wikicommons

Rico em flavonoides, antioxidantes e ferro, além de ser responsável por aumentar o nível de serotonina no sangue, o consumo de cacau traz inúmeros benefícios à saúde. Combate a depressão e a ansiedade, previne contra o colesterol e a anemia, reduz o risco de diabetes e derrames, reduz a pressão, regula o intestino e ainda ajuda a controlar inflamações.

Cerca de 95% do cacau do Brasil é produzido na Bahia, tradição inciada há mais de 200 anos. O cultivo do tipo cabruca, integrado à Mata Atlântica, é o responsável pela conservação de uma vasta área de mata nativa na região – onde um levantamento feito em 2007 encontrou inúmeras árvores ameaçadas de extinção, entre elas o jequitibá-rosa, o pau-brasil e a gameleira.

*Conheça mais curiosidades sobre a trufa.

Fontes: Gregory-Smith, John. O livro das especiarias: receitas rápidas. – 1. ed. – São Paulo: Publifolha, 1013; Wikipedia; tuasaude.com.

 

La Cave

la cave

Uma explosão de sabores: tortinhas de pera, gorgonzola, nozes e cebola caramelizada

Ingredientes: queijo tipo gorgonzola, pera, nozes chilenas, cebola roxa, pimenta do reino, tomilho, manteiga, açúcar mascavo, farinha de trigo e sal

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Uma mistura à primeira vista inusitada mas que, de tão boa, já virou um clássico: pera com gorgonzola. Molhos ou recheios para massas, tortas, quiches, risotos, sopas e saladas já usaram essa dupla de sabores simultaneamente opostos e complementares. O nosso La Cave acrescenta a essa mistura cebola caramelizada e nozes, completando essa instigante experiência para o paladar.

Como todo queijo azul, o gorgonzola é picante mas também um pouco frutado, aproximando-se da pera – que por sua vez contribui para essa mistura, com muita elegância, com seu sabor adocicado e suculento. As nozes, quando torradas, se aproximam muito em sabor dos queijos azuis, e por isso é também muito utilizada na harmonização com o gorgonzola. Para completar, a cebola caramelizada intensifica o sabor adocicado da pera, fechando com maestria esse contraste entre ela e o sabor marcante do queijo – por sua vez já intensificado pela adição das nozes.

Nosso protagonista, o Gorgonzola

Considerado um dos mais requintados queijos da família azul, o gorgonzola é o terceiro queijo mais consumido da Itália, sua terra natal, perdendo apenas para o parmesão e o grana padano. Acredita-se que o gorgonzola seja o queijo mais antigo do mundo – a primeira referência encontrada data do século X na pequena cidade de Gorgonzola, localizada a 20 quilômetros de Milão, no norte do país. A abundância de leite e a variedades de fungos das cavernas da região foram as características fundamentais para a criação desse queijo.

Segundo lendas locais, sua criação aconteceu por acidente. Conta-se que, a princípio, este queijo era conhecido como Strachino quando um produtor descuidado acabou misturando leites de diferentes ordenhas, um da noite e outro da manhã. Quando as coalhadas de diferentes temperaturas se uniram, formaram bolhas, e dessas bolhas surgiram os fungos azuis Penicilium Roqueforti – responsáveis pela tonalidade azul de todos dessa família de queijos.

Fontes:
Segnite, Niki. Dicionário de Sabores: combinações, receitas e ideias para uma cozinha criativa. Google Books; ajufest.com.br; produtosfinos.com.br

Filfil

Filfil

O nosso Falafel, bolinhas refrescantes e levemente apimentadas de grão de bico envoltas em gergelim crocante (não contém lactose). Acompanha molho de iogurte (com lactose) com limão siciliano e tahine.

Ingredientes: grão de bico, farinha de trigo, limão siciliano, cebola roxa, pimenta verde, hortelã, alho, cominho, pimenta do reino, sal, semente de gergelim, iogurte, sal e tahine (pasta de gergelim).

** Bolinho é vegano, molho não

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Filfil não é o assobio, mas bem que poderia ser – os inúmeros benefícios dos ingredientes desse bolinho, além de seu destacado sabor, merecem todos os tipos de elogios. Filfil, a palavra, é a raiz do árabe falafel, que significa “algo apimentado” – resumindo bem essa mistura do sabor suave do grão-de-bico e refrescante da hortelã com as especiarias picantes, que percorre nossa boca atingindo todas as papilas gustativas.

Falafel, o prato, é parte da culinária típica de vários países do Oriente Médio, sendo que cada um tem uma receita original. Há inclusive uma forte disputa pela origem dessa iguaria, em especial entre Líbano, Egito, Síria e Israel. A forma que o ocidente come o Falafel, em forma de sanduíche (com pão pita, molho com tahine e salada), foi criada em Israel e é a principal comida de rua deste país – o que acabou provocando uma confusão em relação à origem do bolinho, em especial com a Associação das Indústrias Libanesas, que em 2009 convocou os outros países do Oriente Médio a tomarem medidas a esse respeito.

Disputas à parte, é incontestável o sabor e os inúmeros benefícios desse bolinho para a saúde. De forma geral o bolinho deve ser firme, leve, crocante, sequinho e jamais massudo. Apenas no Egito o Falafel é feito com feijão – no resto do mundo, assim como no Ora Bolas, a base é o grão-de-bico.

O grão-de-bico é uma ótima fonte de proteína vegetal, além de ser rico em minerais – como cálcio, ferro, fósforo, potássio, cobre, entre outros –, triptofano, vitaminas (A, B e C) e fibras. A grande quantidade de fibras solúveis e não-solúveis retira a gordura excedente na alimentação, limpa o trato digestivo e ajuda a reduzir o colesterol. Além disso, sua digestão, que é demorada, impede a subida abrupta do açúcar no sangue após a refeição, sendo aconselhável para pessoas que sofrem de diabetes, resistência à insulina ou hipoglicemia.

Além do grão-de-bico, ervas e especiarias, nosso Filfil ainda é coberto por gergelim, outra excelente fonte de proteínas, cálcio, gorduras monoinsaturadas e fibras. Essa mistura é ideal para quem procura uma boa forma física e uma dieta equilibrada.

Fontes:

http://www.petitgastro.com.br
http://www.greenme.com.br
http://www.anutricionista.com
http://www.eucomosim.com
http://www.terra.com.br

Brejo

Brejo

Nossa versão em bolinhas da Vaca Atolada, prato típico caipira com costela bovina e mandioca

Ingredientes: costela bovina, mandioca, cebola, tomate, alho, limão, salsinha, pimenta malagueta, pimenta do reino, farinha de rosca, óleo de girassol, ovo e sal.

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Típico prato da culinária caipira, a Vaca Atolada deixa claro o porquê de seu nome à primeira vista: suculentos pedaços de costela bovina, com a carne descolando do osso, “atolados” em um molho espesso devido à mandioca que se dissolve em parte durante o preparo.

Vaca Atolada

A Vaca Atolada no início de seu preparo: costela bovina, mandioca e muito tempero

Mas há quem aponte outras origens para o prato. Ele teria sido criado por tropeiros que faziam o transporte de animais e mercadorias entre o Vale do Paraíba (região entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro) e Minas Gerais. Nas épocas de chuva, os caminhos pela Serra da Mantiqueira viravam lamaçais e era comum o gado atolar, sendo necessário algumas vezes sacrificar algum animal. Uma das partes que não podia ser conservada na gordura ou no sal, as costelas eram então cozidas com mandiocas colhidas na região. Outra versão, menos romanceada, é de que o prato era feito para aproveitar a carne de uma vaca que atolava em um brejo e não resistia.

O Brejo surgiu da proposta do Ora Bolas Food Lab de resumir em bolinhas comidas típicas do Brasil e de outros países. Primeiro é preparada a Vaca Atolada, um processo que leva de quatro a cinco horas: duas para o tempero da carne, mais duas a três para a cocção de todos os ingredientes, em panela de barro. Depois, a carne é separada e desfiada, e novamente refogada, para rechear bolinhas feitas com a mandioca e molho do prato, uma a uma. Então os bolinhos são empanados e fritos. Assim a Vaca Atolada vai para o brejo, ora bolas!

Fonte: Wikipedia; Revista Safra

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Pomme

Pomme

Bolinhas de massa bem fininha com recheio à la apfelstrudel, com maçã verde, amêndoas, canela, uva passa e uma crocante farofa açucarada.

Ingredientes: maçã verde, amêndoas, uva passa, açúcar, canela, manteiga, limão, farinha de rosca, farinha de trigo e ovo.

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As origens do apfelstrudel provavelmente estão na culinária árabe, mas é na Áustria que está o primeiro registro histórico deste doce. Na biblioteca municipal de Viena é possível encontrar a receita mais antiga de strudel, em um manuscrito de 1696. O apfelstrudel também é tradicional no sul da Alemanha, na Croácia, na Hungria, na República Tcheca, na Eslováquia e na Eslovênia, países que fizeram parte do Império Austro-Húngaro. No último século, tornou-se popular em regiões de imigração destes povos, especialmente alemães e austríacos, como no sul do Brasil.

O apfelstrudel é assado no forno e geralmente servido quente, polvilhado com açúcar em pó. É recheado com maçãs cortada em cubinhos, canela, passas e migalhas de pão. É comum acrescentar amêndoas ao recheio, e em algumas receitas é utilizado licor de laranja ou rum para acentuar o sabor.

Mas é a massa o grande diferencial do strudel. Originalmente se usa a filo, apesar de a massa folhada ser bem comum. Outros têm a sua própria receita. O importante é que ela deve ser bem fina e elástica. Costuma-se dizer que deve ser tão fina que seja possível ler algo através dela.

Como no Ora Bolas Food Lab tudo vira bolinha, tivemos que usar outra massa, uma que permitisse ter o formato mais próximo de uma pequena esfera, no caso uma trouxinha. Buscamos inspiração na própria Europa, e encontramos na pâte sucrée (massa doce francesa) a melhor opção para nosso misto de strudel e torta de maça, o Pomme.

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Don Corleone

Don Corleone

Uma releitura dos Cannoli, doce italiano imortalizado na trilogia “O Poderoso Chefão”, com massa de vinho Marsala, recheio de ricota e chocolate branco com raspas limão siciliano e coberto com chocolate belga 70% cacau e pistache.

Ingredientes – Massa: farinha de trigo, açúcar, chocolate em pó 70% cacau, sal, pimenta jamaica, manteiga, ovo, vinho Marsala e Grappa. Recheio: chocolate branco, creme de leite fresco, açúcar, ricota fresca e raspas de limão siciliano. Cobertura: chocolate belga Callenbault 70% cacau, pistache e pimenta jamaica.

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Não por acaso os cannoli têm um papel de destaque na franquia O Poderoso Chefão (The Godfather). Assim como a máfia, esse tradicional doce italiano tem origens na Sicília. Dessa região do sul da Itália saíram os migrantes que difundiram os cannoli e a máfia pelo mundo, especialmente nos Estados Unidos, a partir do final do século 19.

Mas os cannoli são muito mais antigos, é sobre eles provavelmente o primeiro registro sobre confeitaria. Ao advogado, político e filósofo romano Marco Túlio Cícero, questor (cargo de início na magistratura da Roma Antiga) na Sicília em 75 a.C., é creditada a citação: “tubus farinarius, dulcissimo, edulio ex lacte factus”, ou seja, “tubos de massa de farinha, muito doces, recheado com creme de leite”. Pelo formato, os cannoli eram historicamente feitos durante as festividades de carnaval, como um símbolo de fertilidade.

Para a família mafiosa Corleone, no entanto, eles tinham outro significado. No primeiro episódio da trilogia, o caporegime (terceiro na ordem de comando) Peter Clemenza é designado por Don Vito Corleone (o chefe da família, ou padrinho) para matar o traidor Paulie Gatto. Assim que a vingança é consumada, Clemenza orienta o assassino com uma das frases mais famosas do cinema: “leave the gun, take the cannoli”, ou seja, “deixe a arma, pegue os cannoli” – os doces eram um pedido de sua esposa. Já no terceiro episódio, Connie Corleone usa cannoli envenenados para eliminar Don Altobello, chefe da família Tattaglia, também por causa de uma traição.

Cannolo (no singular), que significa “pequeno tubo” em italiano, é uma sobremesa de massa doce frita em formato de tubo, recheada com creme de queijo ricota ou mascarpone, e que costuma levar baunilha, chocolate, pistache, frutas cristalizadas, vinho Marsala e limão siciliano em seu preparo. Mas cada família italiana tem sua receita, assim como os migrantes precisaram adaptar as suas aos ingredientes disponíveis em suas novas terras.

O Ora Bolas Food Lab procura manter uma proximidade com os ingredientes originais. A massa leva cacau, vinho Marsala e Grappa; o recheio tem uma base de ricota, chocolate branco e limão siciliano; e ganha uma cobertura de chocolate meio amargo e pistache. Mas, é claro, deixa de ser um pequeno tubo e é transformado em uma bolinha. Por isso foi rebatizado de Don Corleone.

Portanto, depois de um bom happy hour com bolinhos salgados e bebidas, deixem os copos e peguem os cannoli, ora bolas!

Fontes: Wikipédia; ANSA Brasil; ricette.giallozafferano.it; godfather.wikia.com; Kostioukovitch, Elena. Why Italians Love to Talk About Food. Google Books

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Ghriba

Ghriba

Suave docinho marroquino com nozes e especiarias, crocante por fora e cremoso por dentro.

Ingredientes: nozes, açúcar, claras de ovo, canela, baunilha em vagem, manteiga clarificada (ghee).

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Ghriba é um docinho muito tradicional no Marrocos, onde a receita é passada de geração em geração. Em árabe, ghriba significa “estranho”, mas no árabe marroquino o nome ganha um outro significado: “o misterioso”.

E é mesmo misterioso o sabor desse doce – principalmente a versão escolhida por nós, o ghriba de nozes. No lugar do tradicional biscoito temos aqui uma espécie de trufa de nozes com especiarias, rugosa e crocante por fora mas macia e úmida por dentro.

São muitas as receitas, mas a mais popular no Marrocos é o Ghriba de amêndoas, mais parecida com um biscoito. O tipo mais apreciado pelos marroquinos é o Ghriba Bahla, um biscoito mais crocante e craquelado, sempre acompanhado do famoso chá de menta. O motivo da escolha pela receita com nozes é a concordância com a proposta do Ora Bolas, de doces que finalizem bem uma boa noite de conversa, boa comida e bebida – carne de porco e bebida alcoólica são considerados “haraam”, ou seja, proibidas pela religião muçulmana.

O Ghriba Ora Bolas também leva em sua composição açúcar de baunilha. Saiba um pouco mais sobre esse ingrediente.

Benefícios do consumo de nozes

Ricas em fibras de alta qualidade, antioxidantes, vitaminas e minerais essenciais, as nozes possuem propriedades que ajudam nas defesas do corpo – formação de glóbulos vermelhos, cicatrização, fortalecimento dos ossos e dos dentes –, combatem problemas cardíacos e infecções e atuam na prevenção do câncer. Além disso, melhoram o trato intestinal, amenizam problemas decorrentes da síndrome metabólica – entre eles o colesterol alto –, ajudam a manter estáveis as taxas de glicose no sangue e, em pequena quantidade, auxiliam na manutenção de um peso saudável se consumidas diariamente.

Ghriba, o templo

Uma curiosidade: Ghriba também é o nome de um templo localizado em uma das últimas comunidades judaicas que sobrevivem no mundo árabe, no centro da ilha de Sjerba, ao sul da Tunísia. Durante a festa judaica do Lag Baômer, que ocorre entre os meses de abril e maio do calendário gregoriano, a Sinagoga de la Ghriba recebe vários milhares de peregrinos – já que, segundo a tradição, o local conteria restos do Templo de Jerusalém.

Em 1985 e em 2002 a sinagoga foi palco de atos de violência. Na primeira ocasião um policial tunisiano abriu fogo dentro do templo matando cinco pessoas, entre elas quatro judeus. Já em 2002 um atentado suicida atribuído ao grupo terrorista al-Qaeda deixou 21 mortos e 30 feridos após um caminhão-tanque, carregado de explosivos e conduzido por um jovem tunisiano de 25 anos, entrar no local.

Fontes:
Moroccan Cuisine Marocaine
Wikipedia
http://www.mundoboaforma.com.br

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