Parabéns, Floripa!

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Hoje, 23 de março de 2017, Florianópolis comemora 344 anos. Em sua homenagem, elaboramos um cardápio especial, entregue ontem, a partir de ingredientes típicos da cidade e do estado ou de suas origens. Sobre os bolinhos, já publicamos aqui suas histórias e curiosidades, mas agora gostaríamos de deixar registrado a relação deles com a cidade que escolhemos para viver.

Changbai. O que uma receita chinesa de almôndegas tem a ver com Floripa? Primeiro, um de seus principais ingredientes é a ostra, molusco que o município ajudou a inserir na maricultura brasileira. Hoje é o segundo maior criador no País e responsável por mais de 90% das sementes de ostras cultivadas no Brasil. Junto com outras oito cidades do estado, faz de Santa Catarina o maior produtor nacional, com 98% da produção total.
Logo cedo, no início do dia, elas são colhidas, limpas e despachadas de avião para o restante do país, especialmente a cidade de São Paulo, um dos principais polos gastronômicos mundiais. Lá, é comum os restaurantes anunciarem, como se fosse uma grife: temos ostras vivas de Santa Catarina.
Segundo, outro ingrediente básico deste bolinho, a carne suína, é também um produto em que o estado lidera o ranking de produção (cerca de um terço do total nacional). A suinocultura é tradicional em Santa Catarina, e sua carne é reconhecida internacionalmente pela qualidade e status sanitário, o que faz do estado responsável por 80% das exportações brasileiras.
Mas qual a relação com a China? Esse país responde pela maior produção mundial de ostras (80% do total) e de suínos (51%). Nesta receita da sofisticada culinária da província de Sichuan, temos uma combinação, a início estranha, de carne suína e ostras em forma de almôndegas, em um molho agridoce de pimentas vermelhas e feijão fermentado (douban jiang), considerado a “alma” da cozinha de Sichuan.

Convento Açoriano. O nome do bolinho doce do cardápio comemorativo deixa clara a sua ligação com a nossa linda Ilha de Santa Catarina: os portugueses açorianos são os seus principais colonizadores. Os primeiros começaram a chegar por volta do início do século 18, buscando na ilha daqui melhores condições de vida do que as oferecidas nas ilhas de lá – o povo do Arquipélago dos Açores sofria com a fome decorrente da explosão populacional, do desenvolvimento econômico precário e de abalos sísmicos na região.
Mas, até chegar ao destino, enfrentaram espaço insuficiente nos navios, falta de água e comida fresca e condições mínimas de higiene, o que causou a morte de dezenas de pessoas.
Aqueles que sobreviveram à dura travessia do Atlântico estabeleceram em março de 1748 a primeira colônia, às margens da Lagoa da Conceição. Pouco depois, novas colônias foram estabelecidas em Santo Antônio de Lisboa e no Ribeirão da Ilha.
Os açorianos deixaram profundas marcas em Florianópolis: a cultura, o folclore, a religiosidade, o jeito de falar… E também dos Açores veio a inspiração para mais um bolinho Ora Bolas, o Convento Açoriano, uma versão das Queijadas da Vila Franca do Campo, doce conventual original da Ilha de São Miguel.

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