Convento Açoriano

Convento Açoriano

Uma versão das queijadas de Vila Franca do Campo, doce conventual típico da Ilha de São Miguel, nos Açores

Ingredientes: farinha; ovos; banha; manteiga; açúcar; sal; leite; coalho; açúcar de confeiteiro

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Como o próprio nome diz, a história da doçaria conventual portuguesa tem origem nos conventos do século XV e é fruto da expansão do comércio de açúcar obtida com o cultivo de cana na Ilha da Madeira e em outras colônias portuguesas. Até então, havia uma tradição de doces produzidos com mel – mas o açúcar, com seus vários pontos de calda, abriu horizontes para as mulheres que muitas vezes acabavam nos conventos por uma imposição social, não por vocação, e tinham na doçaria seu passatempo. Na colônia portuguesa dos Açores, em especial, entre 1533 e 1832 as principais famílias das ilhas de São Miguel, Faial e São Jorge viam na vida religiosa de suas filhas donzelas uma maneira de evitar a dispersão do patrimônio familiar e assegurar ao seu clã um elevado estatuto social.

O uso abundante das gemas de ovos nesses doces tem relação direta com o uso das claras de ovos dentro dos conventos. As claras eram utilizadas para confecção de hóstias, para engomar os hábitos (roupas) das freiras – e também roupas elegantes de homens ricos – e como elemento purificador na produção de vinho branco. Até então, as gemas excedentes eram muitas vezes colocadas no lixo ou servidas como alimento aos animais. Com a chegada do açúcar, elas ganharam um novo destino – bem mais saboroso.

José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

Convento de Santo André, Vila Franca do Campo Foto: José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa/ Wikicommons

O nosso Convento Açoriano tem origem na Vila Franca do Campo, primeira capital da Ilha de São Miguel, nos Açores, após a colonização portuguesa. A hoje famosa Queijada da Vila começou a ser fabricada no Convento de Santo André, erguido no século XVI. Hoje em dia não é mais produzida dentro do convento, mas por duas famílias que guardam sigilo absoluto sobre a receita original – não se sabe se realmente existe algum segredo ou se essa é apenas uma forma de acrescentar charme ao já saboroso doce. Na versão Ora Bolas Food Lab, as queijadas são menores, como petiscos, e têm uma massa bem fininha e crocante (típica dos doces portugueses), recheada com um creme doce – com o açúcar e as gemas – que ganha como contraponto o gostinho azedo da coalhada seca caseira. É mesmo para comer rezando!

Fontes: Wikipedia; Martins, Rui de Souza. As Artes Conventuais nos Açores e o Processo de Criação do Arcano Místico da Ribeira Grande. Universidade dos Açores; arteconventual.com.br; imaginacaoativa.wordpress.com; docesconventuaisdaflor.blogspot.com.br

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